Conheça Peter Magubane, fotógrafo oficial de Nelson Mandela e ativista contra o apartheid

O fotojornalista, de 91 anos, foi importante ator no combate à segregação na África do Sul

Lívia Ximenes
fonte

Peter Magubane, fotojornalista e ativista contra o apartheid na África do Sul, morreu na última segunda-feira, 1. O fotógrafo, de 91 anos, ficou conhecido por ser o responsável pelos registros oficiais de Nelson Mandela e pelo combate à segregação. Magubane era sul-africano e negro.

VEJA MAIS

image Israel promete se defender de acusação de genocídio feitas pela África do Sul à corte de Haia
Enquanto isso, imprensa do Líbano anuncia morte em seu território do líder do Hamas, Saleh al-Arouri

image Fotojornalista apresenta série especial sobre as lendas de Belém com fotos e vídeos
Fernando Sette nasceu em Belo Horizonte, mas se apaixonou pelas histórias do Pará

image Fotógrafo Thiago Bernardes registra suas vistas morando em veleiro em alto-mar
Há três anos, projeto “Mar em Foto” realiza sonho de renomado fotógrafo brasileiro. O Pará está no itinerário

A morte foi confirmada pela família aos canais de notícias sul-africanos, sem divulgação de mais detalhes. Enquanto atuava como fotojornalista no período do apartheid, Magubane costumava dizer que escondia a câmera entre pães, caixas de leite vazias ou na bíblia. A informação é do The New York Times.

Em 2015, o fotojornalista, em entrevista ao The Guardian, declarou que não pretendia ir para outro país para ter uma vida diferente. “Eu não quero deixar o país para encontrar outra vida. Eu vou ficar e lutar com a minha câmera, como se fosse minha arma. Eu não quero matar ninguém. Eu quero matar o apartheid”, afirmou.

A fotógrafa paraense Jacy Santos diz que a relação entre história e fotografia inicia no século XIX e as duas tornam-se indissociáveis. “Nesse contexto, é comum que algumas fotografias e, consequentemente, alguns fotógrafos se sobressaiam, como foi o caso de Magubane”, fala.

VEJA MAIS

image Fotógrafa paraense lança foto-livro sobre vacinação contra a covid-19 no interior do Pará
Inspirada no esforço dos profissionais de saúde na pandemia, o nome da obra traz como referência a música homônima de Lulu Santos

image Fotógrafa paraense Jacy Santos fala sobre projeto alusivo ao disco “Clube da Esquina”
O disco de Milton Nascimento e Lô Borges completa 50 anos neste mês

Zizi Kodwa, Ministro de Artes, Esportes e Cultura da África do Sul, lamentou a morte de Magubane e disse que fotojornalista documentou de maneira destemida as injustiças do apartheid. “A África do Sul perdeu um lutador pela liberdade, um magistral contador de histórias e fotógrafo. Meus pensamentos e minhas orações estão com a família do Dr. Magubane”, escreveu no X (Twitter).

Magubane disse que não pedia permissão para fotografar, mas se desculpava se alguém se sentisse insultado - e continuava com a foto registrada. “Apenas depois que completo minha tarefa que eu penso nos perigos que estão ao meu redor, nas tragédias que acontecem com o meu povo”, falou.

De acordo com Jacy, a principal razão para as fotografias de Magubane ainda repercutirem são seu caráter histórico. “Peter era, sobretudo, um fotógrafo sul-africano registrando sua própria história”, aponta.

A fotografia mais emblemática de Magubane foi tirada em 1956. Na imagem, uma menina branca está sentada em um banco escrito “apenas europeus” ("european only", em inglês), enquanto a babá negra está no banco ao lado.

Diversos livros foram publicados por Magubane, mas a maior parte foi censurada durante o apartheid (entre 1948 até o início dos anos 1990). O fotojornalista também foi preso por registrar manifestações em frente a uma prisão e por ter descumprido a ordem judicial que determinava a proibição de permanecer atuando com fotografia.

Quando Nelson Mandela saiu da prisão após 27 anos, em 1990, Peter Magubane se tornou seu fotógrafo oficial durante quatro anos, até Mandela assumir a presidência da África do Sul - se tornando o primeiro presidente negro do país.

Saiba mais sobre a importância da fotografia na história mundial

Apesar da relação “tímida” entre fotografia e história no começo, as duas áreas consolidam um dos maiores encontros, segundo a fotógrafa Jacy Santos.

A fotógrafa ressalta que, além de técnica, os profissionais também contam com a sorte. “As cenas acontecem e nós, fotógrafos, felizmente, estamos lá para registrar. Nos preparamos, principalmente, praticando, antecipando (ou pelo menos tentando) movimentos, observando”, diz.

Para Jacy, na história contemporânea, os fotógrafos têm se tornado figuras importantes, já que são responsáveis por documentar os acontecimentos.

Jacy também explica que cada fotógrafo tem algum tema de interesse maior e isso é levado em consideração. “Cada um de nós tem um olhar aguçado para algo ou alguma coisa, que nos chama mais atenção e estamos mais propensos a registrar”, conclui.

(*Lívia Ximenes, estagiária sob supervisão do Coordenador de Cultura, Abílio Dantas)

Entre no nosso grupo de notícias no WhatsApp e Telegram 📱
Cultura
.
Ícone cancelar

Desculpe pela interrupção. Detectamos que você possui um bloqueador de anúncios ativo!

Oferecemos notícia e informação de graça, mas produzir conteúdo de qualidade não é.

Os anúncios são uma forma de garantir a receita do portal e o pagamento dos profissionais envolvidos.

Por favor, desative ou remova o bloqueador de anúncios do seu navegador para continuar sua navegação sem interrupções. Obrigado!

ÚLTIMAS EM CULTURA

MAIS LIDAS EM CULTURA