Pará pode ter mais fenômenos climáticos até o fim de janeiro, alerta Inmet

Nos últimos dias, Estado registra tromba d´água, redemoinho e tremor de terra, deixando habitantes intrigados

Eduardo Rocha
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Redemoinho no Distrito de Outeiro, em Belém, tromba d´água em Limoeiro do Ajuru, na região do Marajó, e tremor de terra em Canaã dos Carajás, no sudeste do Estado. Nos últimos dias, o Pará vem registrando fenômenos climáticos que chamam a atenção de moradores nos municípios e viralizam nas redes sociais. Com relação à tromba d´água e redemoinho, o meteorologista José Raimundo Souza, do 2º Distrito do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), informou, nesta terça-feira (24), que até o final deste mês de janeiro, se persistir a incidência de Sol forte e nuvens de chuva, a tendência é que esses fenômenos possam prosseguir. Deverão deixar de ocorrer a partir de fevereiro e março, meses tradicionalmente chuvosos e sem Sol forte para contrapor com o ar frio das nuvens, o que gera essas ocorrências.

Na segunda-feira (23), moradores de São Sebastião da Boa Vista, no Arquipélago do Marajó, verificaram uma tromba d´água no Rio Cupijó, na área do Município de Limoeiro do Ajuru, na Região Tocantins. Como informou José Raimundo Souza, do Inmet, a tromba d´água é formada a partir do encontro de nuvem do tipo cumulonimbus, reunindo corrente de ar úmido que em contato com o ar quente provocado pelo Sol provoca um giro de ventos na vertical em contato com as águas. É um fenômeno não tão comum na beira de rios, mas já foi verificado no Distrito de Outeiro e na Baía do Guajará, por exemplo. Em geral, não provoca acidentes, por ser de curta duração, de cerca de um minuto. Costumava ocorrer em novembro e dezembro, mas, agora, é identificado em janeiro. A velocidade do vento em uma tromba d´água pode chegar a 50 km/h.

O redemoinho constatado em um imóvel no Distrito de Outeiro, nasegunda-feira (23), segue a mesma origem da tromba d´água, com a diferença de que transcorre na terra, demora mais tempo, com cinco minutos de duração, e pode levantar telhados e atingir árvores, como pontuou José Raimundo. A Prefeitura de Belém vistoriou, nesta terça-feira (24), a edificação atingida pela ventania nesse distrito.

Atenção

O Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) tomou conhecimento dos fenômenos ocorridos em municípios paraenses nos últimos dias, como destacou o meteorologista Márcio Nirlando Lopes. Com relação ao redemoinho e à tromba d’água, o Censipam informou que os dois fenômenos ocorreram em razão da forte instabilidade atmosférica associada ao sistema meteorológico Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). A ZCIT é uma região de forte instabilidade atmosférica, formada pelo encontro dos ventos que sopram do hemisfério Norte e do hemisfério Sul, e que produz aglomerados de nuvens carregadas, com grande desenvolvimento vertical, denominadas cumulonimbus (CB).

"As nuvens CB, em condições não raras, podem produzir um funil que se projeta a partir da base da nuvem em direção à superfície; caso este funil não toque a superfície, chamamos apenas de nuvem funil; quando o funil toca a superfície, denominamos tornado (sobre o continente) ou tromba d’água (sobre lagos, rios e oceanos); a instabilidade atmosférica, sobretudo em condições de aquecimento intenso e desigual da superfície, também pode favorecer a rotação do ar em pequena escala, provocando o giro do vento que se conhece como redemoinho", repassou o Censipam.

O Centro informou que os "fenômenos meteorológicos em questão são comuns em qualquer época para as regiões tropicais, visto que ao longo de todo o ano, os trópicos recebem elevada quantidade de energia (radiação solar) e também são áreas, via de regra, sobretudo na Amazônia, onde há boa disponibilidade de água (lagos, rios, evapotranspiração da floresta etc.), condição que fornece o combustível (radiação/calor) e matéria-prima (vapor d’água) que favorece o desenvolvimento de nuvens de tempestade do tipo CB".

Segundo o Censipam, na região, os eventos de redemoinhos não oferecem risco diretamente às pessoas e animais, visto que sua intensidade não é elevada. Todavia, tais redemoinhos são capazes de levantar objetos de tamanho pequeno ou médio, como telhas, pequenos galhos, placas, entre outros, que podem atingir as pessoas e, assim, provocar danos de diferentes gravidades.

As trombas d’água ou tornados, por sua vez, costumam ocorrer com intensidade mais elevada do vento, que também podem levantar objetos. Estes fenômenos estão associados diretamente a uma nuvem CB, o que implica também em incidência de descargas atmosféricas, chuva forte, granizo e rajadas de ventos mais intensas que podem alcançar os 100 km/h.

As descargas atmosféricas (raios) podem matar pessoas e animais, provocar danos à equipamentos eletro-eletrônicos, interrupção no fornecimento de energia elétrica, ocasionar incêndios, entre outros. As chuvas podem ser volumosas, ocasionando transbordamento de rios e canais, assim como alagamentos. A precipitação em forma de granizo pode causar quebra de telhas, amassamentos de veículos, quebra de vidraças e outros, como indicou o Censipam.

"Considerando que tais eventos são naturais, não há como evitar a sua ocorrência, mas na iminência de uma tempestade, as pessoas devem se abrigar em ambientes fechados e seguros, distantes de áreas sujeitas a alagamento e inundações, protegidas de descargas elétricas, buscando minimizar a exposição aos riscos", completou o Censipam.

Tremor de terra

Às 2h34 de segunda-feira (23), um terremoto com 3,9 graus de magnitude foi registrado no Município de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará. O Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP) informou que o tremor registrado na cidade é de “magnitude baixa, mesmo se tratando do Brasil".

Sobre tremores de terra no Pará, o geólogo Alberto Rogério da Silva, consultor do Instituto Brasileiro da Mineração (Ibram), explicou que o Planeta Terra é dividido em placas tectônicas que se movimentam horizontal e verticalmente. Alguns fenômenos geológicos podem ocorrer fazendo com que haja alteração na movimentação dessas placas.

"Há algum tempo, na década de 1970, houve um pequeno tremor de terra em Belém; então, não há período específico para isso ocorrer porque são fenômenos esporádicos que dependem de uma massa pastosa incandescente, com temperaturas elevadíssimas, em torno de 1.000 graus Celsius, que há abaixo da crosta terrestre, denominada de magma", observou Alberto Rogério.

"O fenômeno de Canaã de Carajás pode ser considerado atípico, como foi o corrido em Belém; e como já ocorreu outro anteriormente )1976, com 3,8 graus), pode ser que haja resquícios de alguma fratura geológica profunda na região, mas que só se pode afirmar com bastante estudo a respeito, principalmente por métodos indiretos, denominados de geofísica; a medida de intensidade de um terremoto varia de zero a dez e é medida na escala Richter, denominação dada em função de seu descobridor Charles Richter, auxiliado por Beno Gutenberg. Mas a escala não só mede como compara os diversos terremotos ocorridos ao longo do tempo no planeta Terra; o problema do terremoto não é só sua intensidade, mas sim, também, sua duração. Quanto mais duradouro, mais estragos pode causar.

Confira:

- Tromba d´água - Formada a partir do encontro de nuvem Cumulonimbus (com ar frio) com massa de ar quente provocada pelo Sol forte gerando um redemoinho (vertical) ao tocar nas águas de rios e mares.

- Redemoinho - Tem a mesma formação da tromba d´água, com a diferença básica de que transcorre na terra, podendo atingir telhados e árvores.

- Tremor de terra - Planeta Terra é dividido em placas tectônicas que se movimentam horizontal e verticalmente; alguns fenômenos geológicos podem ocorrer fazendo com que haja alteração na movimentação dessas placas.

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