Semana Santa: consumidores buscam pelo ‘bacalhau amazônico’ no Ver-o-Peso

Apesar da alta de 17% em relação ao ano passado, de acordo com o Dieese Pará, o pirarucu salgado ainda é uma opção econômica

Gabriel da Mota

O bacalhau é um dos principais peixes utilizados nas receitas da Semana Santa, época em que cristãos católicos não comem carne vermelha. Porém, o preço tradicionalmente alto do produto leva algumas pessoas a substituí-lo por opções mais em conta. Na manhã desta quarta-feira (27), consumidores e feirantes no Mercado Ver-o-Peso, em Belém, negociavam o preço do pirarucu, também conhecido como “bacalhau da Amazônia” pela similaridade no sabor, já para o almoço da Sexta-feira Santa.

A aposentada Maria Santana (70 anos) e seu esposo, Boaventura Souza (72 anos) estavam em busca de produtos para a mesa do almoço do feriado. “Já comprei a verdura, agora vou levar o pirarucu. Os preços estão mais ou menos. Depois, vou comprar uma fruta pra levar para os meus netos”, disse a consumidora, que compra pirarucu porque está acostumada a consumi-lo tanto na forma cozida, com verduras, quanto frito, com açaí. “Vai ser uma mesa farta”, acrescentou seu Boaventura, conhecido como ‘Bigode’ no bairro do Tenoné. 

image Maria Santana (70 anos) e Boaventura Souza (72 anos), casal de aposentados (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Carlos Tapajós (70 anos) comprou 1 quilo e 340 gramas do filé de pirarucu, que totalizaram R$ 80. “Só para não passar em branco”, explicou o aposentado, que já estava adquirindo o peixe para o almoço da Sexta-feira Santa. O consumidor não costuma adquirir bacalhau por conta do preço elevado.

O feirante Edson Melo (37 anos) vende a filé de pirarucu a R$ 60 (o quilo), preço praticado em outras bancas. “Esses aqui, de R$ 44 e R$ 46, são com a pele. Tem a isca dele também, tá de R$ 50, geralmente as pessoas compram pra fazer desfiado, empanam para fazer tira gosto”, explica. De acordo com o comerciante, as vendas dos últimos dias estão fluindo bem, e os dias de maior movimentação de clientes devem ser entre hoje e amanhã (quinta-feira). “Na sexta-feira, é só um restinho do pessoal que deixa pra cima da hora. Eles vêm logo de manhã, compram, mas no mais tardar 10h já não tem mais [peixe]”, relatou.

image Edson Melo (37 anos), feirante (Foto: Igor Mota | O Liberal)

Com relação ao ano passado, Edson avalia que o “bacalhau amazônico” está mais caro. “Ano passado, você comprava filé de 50 reais. Hoje, você tá comprando de R$ 60, até R$ 70”. De acordo com Edson, a seca no rio Amazonas tem prejudicado o abastecimento de pirarucu, o que contribui para a alta deste ano.

Dieese

De acordo com o Dieese Pará, o quilo do pirarucu salgado está custando R$ 58,40 em média nos supermercados de Belém; uma alta de 17,03% em relação ao ano passado, quando custava em torno de R$ 49,90. “Nas feiras, é possível inclusive encontrá-lo um pouco mais barato. No próprio Ver-o-Peso, você tem uma sessão dedicada a isso, onde os preços são bem mais convidativos do que aquilo que é comercializado no mercado”, explica Everson Costa, supervisor técnico da entidade.

O Dieese estima, ainda, que houve uma queda de 0,57% no preço do bacalhau do Porto, e de 4,27% no preço do bacalhau Saithe. “Mesmo com essa queda, não é garantia de que ele seja atrativo para consumo em função do preço elevado. Estamos falando de 160 reais, em média, o quilo do Porto, que é o bacalhau mais tradicional”, acrescenta Everson. 

O preço do azeite, item indispensável para o preparo do bacalhau, varia entre 28% e 36% mais caro do que o valor praticado no ano passado. “A gente está falando de um produto que pode vir da Espanha, da Grécia, da Itália. No Brasil, nós não temos uma produção que dê conta da demanda de nossa produção”, finaliza o supervisor do Dieese. 

Confira os preços médios do bacalhau, azeite e pirarucu salgado comercializados em supermercados de Belém

BACALHAU (kg) 

Porto: R$ 161,40 | queda de 0,57% em relação a 2023 (quando era R$ 162,33)

Saith: R$ 79,50 | queda de 4,27% em relação a 2023 (quando era R$ 83,05)

AZEITE DE OLIVA (500 ml)

Gallo: R$ 38,82 | alta de 28,63% em relação a 2023 (quando era R$ 30,18)

La Violetera: R$ 49,83 | alta de 36,26% em relação a 2023 (quando era R$ 36,57)

PIRARUCU SALGADO (kg)

R$ 58,40 | alta de 17,03% em relação a 2023 (quando era R$ 49,90)

Fonte: Dieese Pará

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