Crianças e animais precisam de cuidados

Na pandemia, incidentes com produtos de limpeza aumentaram

Cleide Magalhães

Desde o início da pandemia da covid-19 no Brasil, ​somente de janeiro a abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou 108 casos de intoxicação por álcool em gel. Deles, 88 ocorreram em crianças.

O número é muito maior que o total de casos registrados em 2018 (15 casos) e 2019 (17 casos). A nota foi feita de acordo com dados dos Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CiaTox). Mas, nesse tempo da pandemia, quando a recomendação é para o reforço da limpeza e higiene das pessoas, os cuidados devem ser tomados também com água sanitária, detergentes e desinfetantes.

Água sanitária (hipoclorito de sódio), é o principal produto relacionado aos casos de incidentes com crianças e animais. Em seguida, estão desinfetantes, álcool e detergente.

Além das crianças, os incidentes com esses produtos podem envolver os animais. Embora não haja dados oficiais sobre a intoxicação com estes, especialista no assunto frisa que os animais também são vítimas do contato e ingestão de produtos de limpeza. A situação pode ocasionar intoxicação leve e também levar à morte tanto criança quanto os bichinhos.

Dentre esses produtos, a médica veterinária Déborah Oliveira, coordenadora do curso de Medicina Veterinária da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), destaca que a água sanitária, que é o hipoclorito de sódio, é o principal deles nos casos de incidentes com crianças e animais. Em seguida estão desinfetantes, álcool e detergente.

"Para prevenir têm que logo ter cuidado na aquisição do produto e evitar a compra de produtos clandestinos, pois, em caso de intoxicação, precisamos saber qual é o antídoto a usar e para isso precisamos saber da composição", afirma a veterinária.

Além disso, comprar produtos com embalagens mais rígidas e menos frágeis. "E com tampas e elas têm que ser as mais resistentes, para evitar que as crianças abram com facilidade. Além armazenar os produtos bem longe do alcance tanto das crianças quanto dos animais, não dar para eles brincarem com embalagens vazias, porque, na ausência dos pais e responsáveis, podem acabar se acidentando e os malefícios são os mesmos para as crianças e os animais", alerta a médica.

Em caso de acidente com produto de limpeza, ela orienta que é para não tentar induzir vômitos. "Porque não se sabe se a criança se ingeriu muito ácido ou muito base, e isso pode 'queimar' o esôfago e as mucosas. A mesma coisa vale para o animal".

A médica veterinária ressalta também que não se deve passar nenhum tipo de álcool nas patinhas dos animais. Basta lavar com água e sabão e secar nem para não dar fungo. Nem misturar os produtos no mesmo frasco, mas usá-los separados e confirme diluição do fabricante. Por fim, ao fazer limpeza na casa, manter crianças, idosos e animais longe do lugar.

Busque orientações com o Centro de Informações Toxicológicas da sua cidade

Ainda em caso de acidente com produto de limpeza, logo na sequência do fato ocorrido, se for humano, precisa ligar para o Centro de Informações Toxicológicas da cidade, que é um serviço de ouvidoria, para receber orientação sobre como proceder inicialmente. Já para ajudar a socorrer o animal, segundo esclarece Déborah Oliveira, Belém ainda não disponibiliza esse serviço, mas há previsão de a Ufra implementar até o início deste segundo semestre. Pode ligar para o veterinário para receber instruções. "Agora, em caso de intoxicação, é muito importante pegar a embalagem do produto, onde constam as informações sobre o produto e isso ajuda o profissional na orientação", frisa a médica Déborah.

Em Belém, para atender humanos, existe o Centro de Informações Toxicológicas, que é uma parceria feita entre a Universidade Federal do Pará (UFPA) e a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma). Existe há 22 anos e funciona no Hospital Universitário João de Barros Barreto, da UFPA, na rua dos Mundurucus, no Guamá. O centro dá orientações, por telefone, durante 24 horas, de segunda a segunda, a qualquer pessoa que teve intoxicação aguda e foi envenenada por animais peçonhentos. A ligação é gratuita: 0800-722-6001.

Esse assunto foi tema de uma live transmitida na tarde do último dia 19, com a participação da médica veterinária Deborah Oliveira, e da médica pediatra Mariane Franco. A transmissão ocorreu pelo instagram @farmavetcomufra, da Farmácia Veterinária Comunitária (Farmavetcom) da Ufra. O evento é uma realização da Farmavetcom e da Liga Acadêmica de Farmacologia Veterinária (Lafav) com apoio da Liga Acadêmica Paraense de Pediatria Clínica e Cirúrgica.

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