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Dia da Pizza traz ingredientes paraenses à mesa

Conheça mais sobre a história desse prato universal, a regionalização com ingredientes amazônicos e opções de bebidas para harmonizar com o alimento

Lissa de Alexandria

Pizza: uma receita milenar
Conheça a história do prato que conquistou o mundo e o coração dos paraenses

A antecessora da pizza, como conhecemos hoje, foi a piscea, uma massa feita de farinha de trigo e água, no oriente médio, e muito consumida pelos romanos na antiguidade. O alimento era servido com azeite, sal e ervas, e foi levado para a Itália, onde ganhou fama e conquistou o mundo.

Segundo aponta a autora do Pequeno Dicionário de Gastronomia, Maria Lúcia Gomensoro, “os romanos a levaram para a Itália, onde recebeu este nome (piscea) e era comida ao natural, de manhã, ou nas diversas refeições do dia, acompanhada de um copo de vinho e temperada com azeite, sal e especiarias”.

“A incorporação à massa de outros ingredientes e a mistura de sabores que conhecemos na atualidade só ganha espaço a partir da Idade Média. Em Belém, a pizza já era uma opção desde a década de 50, do século XX, ano no qual a Fábrica Palmeira, referência em biscoitos, pães e caramelos, oferecia pizza à napolitana. Pouco tempo depois (entre 1955 e 1956), a Palmeira passou a oferecer o produto diariamente no horário de almoço”, conta Sidiana Macêdo, historiadora da alimentação e professora da UFPA.

Sidiana Macêdo explica que o hábito de comer pizza, principalmente no almoço, em Belém, foi uma influência americana, a partir da década de 80 (Arquivo pessoal)

De acordo com ela, na década de 1980, a pizza passou a ser oferecida em vários restaurantes de Belém e, no final da década, surgiu o Disk Pizza, com entregas gratuitas e oferta de pizza até o bairro da Cabanagem. Sidiana conta que o hábito de comer pizza no almoço foi uma influência americana na capital paraense. “A influência norte-americana em Belém fez-se muito a partir dos hábitos alimentares. E a lista é grande de ofertas como bolo com chantili, sanduíches americanos, pudim, pizzas, milk-shake, entre outros que nos remetem às influências do ‘American way of life’”.

De lá pra cá, a pizza ganhou novos sabores, com ingredientes regionais que conquistam não só os paraenses, mas consumidores de todo o Brasil.

Ingredientes como tucupi, jambu e caranguejo dão o sabor paraense à pizza (Thiago Gomes)

Na conexão Itália-Brasil, Pará dá uma pitada única

Insumos regionais da Amazônia fazem a diferença nas receitas paraenses e fometam turismo gastronômico

No Brasil, o Dia da Pizza é celebrado em 10 de julho, data em que, em 1985, foi realizado um concurso em São Paulo para eleger as dez melhores receitas de Margherita e Mozzarela. O sucesso do evento foi tanto que se instituiu uma data oficial para homenagear a pizza. O estado de São Paulo é o que mais consome a iguaria italiana no País. Porém, até mesmo os amantes paulistas de pizza não resistem à união de ingredientes paraenses com a massa.

Quem confirma isso é o pizzaiolo Fábio Lima, sócio-proprietário da Pizza do Fábio. Conhecida pelas receitas regionais da massa, a pizzaria foi eleita, em premiação local, como a melhor pizzaria de 2020. “Já recebi elogio de um paulista, que veio do local onde mais se consome pizza no Brasil. Já teve gente que veio aqui e pediu para levar pizza para fora do estado”, conta o pizzaiolo.

Fábio e Josilene Lima apostam em receitas inovadoras com ingredientes amazônicos para promover o turismo gastronômico (Thiago Gomes)

Turismóloga, pizzaiola e também sócia-proprietária da pizzaria, Josilene Lima aposta no turismo gastronômico e acredita que ainda há muitos sabores a serem descobertos. “A gente tem agregado os ingredientes. Repaginamos a pizza paraense, de camarão com jambu, que já é tradicional, com a inclusão do tucupi de Vigia, por exemplo, que é o grande diferencial da receita. Os nossos insumos são muito bons, mas precisam de equilíbrio para não sobressair uma coisa nem outra. Na pizza de caranguejo as pessoas, muitas vezes, desconfiam no início, questionam ‘caranguejo na pizza, será que dá certo?’, mas aí elas se surpreendem”, diz Josilene.

Falando na pizza de caranguejo, os pizzaiolos contam que já era uma receita conhecida na região de São Caetano de Odivelas, no nordeste paraense, mas quando resolveram adotar o sabor na pizzaria Josilene queria algo diferente. Foi então que surgiu a apresentação da pizza com bordas vulcânicas e patas de caranguejo mergulhadas no catupiry, iguaria que já ganhou prêmio pelo sabor e inovação.

A mais recente novidade é a Pizza Tapajônica, composta por um alimento bem conhecido da região Amazônica: o pirarucu. “Existe um mito que pizza não combina com peixe, mas é como se fosse a portuguesa paraense, mas com elementos das regiões do nosso estado. A nossa proposta é inovação, indo ao encontro do título de Cidade Criativa que Belém recebeu e precisamos reforçar isso, porque ainda tem um leque muito grande para se explorar, não tenho dúvida disso”, afirma a turismóloga.

Harmonização 

E já que a palavra de ordem é inovação, por que não harmonizar as pizzas regionais com vinho? Parece ser algo distante degustar a bebida com a Pizza Tapajônica, por exemplo, não é? Mas a sommelier Nígima Amorim diz que é possível e surpreendente as combinações feitas com vinho e a culinária paraense.

 “Quando a gente falava em Círio de Nazaré e vinho as pessoas riam. E hoje não, as pessoas se surpreendem. Com o próprio pirarucu, que vai na Pizza Tapajônica, é possível combinar um vinho que limpa o paladar, já que é um peixe salgado. Uma boa opção seria um espumante brut”, explica. 

A sommelier Nígima Amorim pontua que há diversas opções de vinho que podem ser harmonizados com pizzas e comidas regionais (Thiago Gomes)

A sommelier afirma ainda que há muitas possibilidades de harmonização com os ingredientes regionais. “Tem muita coisa para brincar, nossa culinária é muito rica e tem uma infinidade de insumos, assim como temos muitas opções de vinho. Será que não conseguimos harmonizar com essa grande variedade? Acredito que o grande entrave é a vontade de se manter no conforto do que é conhecido e as pessoas acabam nem tentando. Mas existem opções incríveis com característica enoregional”, explica.

Chef Ricardo Costa indica cervejas e drinks leves para pizzas como a margherita (Arquivo pessoal)

Quem também aposta na harmonização, só que de drinks e cervejas com pizza, é o chef Ricardo Costa. “Para pizzas mais leves, sempre indicamos drinks e cervejas mais leves, como Mojito e Cerveja Pilsen. Já uma pizza com embutidos, indicamos drinks e cervejas mais encorpados, como Negroni e Cerveja IPA. Mas a harmonização sempre fica por conta do cliente”, conta o proprietário do Pug Pizza.

Prato pode ser consumido com drinks, vinhos e cervejas (Arquivo pessoal Ricardo Costa)

Como harmonizar sua pizza

Pizza Tapajônica + Chandon Brut

A novidade na Pizza do Fábio une a massa italiana com pirarucu, banana, pimentão e mozzarella. Com um espumante Chandon Brut, uma bebida coringa para alimentos com muito sabor, é possível degustar a pizza e limpar o paladar, retirando um pouco mais o salgado do peixe amazônico.

Pizza Margherita + Mojito

O sabor mais pedido no Pug Pizza combina com uma bebida leve. O Mojito é um coquetel cubano à base de rum branco e que harmoniza bem com a leveza da Margherita.

Pzza Spicy Brooklyn + Cerveja IPA

Uma pizza regada ao molho arrabiata (apimentado), com mozzarella fresca, calabresa artesanal e cebola caramelizada cabe perfeitamente com a refrescância e amargor da cerveja IPA.

 

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