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Justiça Eleitoral quer combater desordem informacional

TSE aposta em parcerias para qualificar a informação, conscientizar e dar resposta à cidadania

Valéria Nascimento

O debate em torno das notícias falsas se iniciou nas eleições de maneira mais contundente, nos anos 2018 e 2020. De lá para cá, a Justiça Eleitoral busca avançar contra as mentiras e os operadores do Direito já não falam mais em 'fake news'. Usa-se agora a concepção de 'desordem informacional', termo mais amplo que engloba as notícias falsas mas compreende que uma notícia pode até ser verdadeira, no entanto, da forma como ela é passada ela acaba dando a impressão de distorção da realidade para atingir um objetivo específico. A reportagem de O Liberal ouviu o servidor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Vitor de Andrade Monteiro, sobre as iniciativas de combate à desinformação eleitoral no país. 

O senhor está lotado na Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, uma unidade criada em fevereiro passado, na gestão do ministro Edson Fachin. Na prática, quais as iniciativas para evitar que a desordem informacional atinja o processo eleitoral?

Nós buscamos desenvolver nossa atuação de três formas. Primeiro, a gente tem que informar. A gente tem que trazer informação de qualidade, acessível e bem comunicada. A sociedade tem de ter acesso à informação, saber onde ela está e como encontrar e entender. Segundo ponto, a gente pensa em capacitar. 

Como seria isso? 

A ideia é de que uma sociedade que tem capacidade de entender o fenômeno da desinformação, e aqui eu não falo só da informação correta, mas de entender o fenômeno em si, ela é mais resiliente a ser impactada pela desinformação. Quem entende como a desinformação funciona, tem uma tendência menor de ser enganado e de reproduzir essa informação. E por fim, a gente tem a 'resposta. A ideia da resposta é de a gente conseguir de forma direta responder os ataques que vão direcionados à Justiça Eleitoral, ao processo eleitoral.

De que forma será dada essa resposta?

Nesta visão especial da resposta, a gente tem alguns canais desenvolvidos. Cada plataforma digital estabeleceu com a gente um canal específico de contato, então, se algum colega identificar uma informação, ele envia para gente esta informação e a gente encaminha para as plataformas. Esse sistema é chamado de Sistema de Alerta Contra a Desinformação. Ele foi criado justamente para trazer protagonismo ao cidadão.

Como o cidadão pode contribuir diretamente com o Sistema de Alerta?

Se você ver que estão mandando fake news pelo WhatsApp, você pode participar do processo e dizer, 'Justiça Eleitoral, está aqui o conteúdo que eu encontrei.

Onde se diz isso, doutor Vitor?

No site do TSE o www.tse.jus.br. O Sistema de Alerta Contra a Desinformação está lá e tem cinco campos que você preenche, super fácil. Não precisa apresentar nome, sobrenome, se identificar. Basta mostrar o link onde você encontrou isso, a desinformação contra o processo eleitoral ou o disparo em massa. Por exemplo, se alguém tem um comportamento inautêntico no WhatsApp, mandando aquelas correntes e áudios de telemarketing, a gente pode identificar se esse comportamento é humano pela velocidade e pela forma como é feito. A gente pode indentificar se é a fala de um boot, de um robô. 

E pode bloquear esses envios pelo WhatsApp?

A plataforma WhatsApp pode bloqueá-los.

O TSE assinou acordos com 12 grandes plataformas como Twitter, Facebook, WhatsApp, Google, Instagram, YouTube e Kwai, nos dê um único exemplo prático de como essa parceria funcionará?

De repente, um cidadão, uma cidadã encontra um vídeo no YouTube trazendo informação falsa, por exemplo, que não tem nenhum outro lugar no mundo usando urna eletrônica. Esta informação é falsa. Há mais de 40 países no mundo que têm urna eletrônica nos moldes parecidos com os nossos. Ele vai no sistema de alerta manda a denúncia para gente e a gente envia para o YouTube. O YouTube é parceiro, vai tratar disso. Ele pode tanto tirar do ar esse vídeo como pode usar o rótulo 'Notícia Falsa" ou "Se informe sobre a urna eletrônica". Você clica lá e vai para o site da Justiça Eleitoral. Então, a gente consegue dar uma resposta de qualidade.

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