Ibovespa fecha com queda de 1,34% após prisão de Temer e preocupações com Previdência

Forte movimento do índice foi decorrente do noticiário doméstico

Reuters

O principal índice da bolsa paulista fechou no vermelho nesta quinta-feira (21), após a prisão do ex-presidente Michel Temer aumentar preocupações de que episódio dificulte ainda mais o andamento da reforma da Previdência.

O Ibovespa encerrou com queda de 1,34 por cento, a 96.729,08 pontos, após atingir 95.456,28 pontos na mínima. O giro financeiro da sessão somou 17,9 bilhões de reais.

Para o economista-chefe da Guide Investimentos, Victor Candido, o forte movimento do índice foi decorrente do noticiário doméstico. "O mercado já vinha com viés negativo após a divulgação da proposta de alteração da Previdência dos militares. A notícia da prisão do Temer só piorou ainda mais as preocupações com o andamento da reforma", afirmou.

Michel Temer foi preso na manhã nesta quinta-feira pela Polícia Federal no âmbito da operação Lava Jato, por suspeita de desvios de recursos nas obras da usina nuclear Angra 3, sendo apontado pelos investigadores como líder de uma organização criminosa que praticou desvios e recebeu propina.

Na véspera, o governo entregou ao Congresso o projeto de reforma da Previdência dos militares, que prevê economia de 10,45 bilhões de reais em 10 anos, bem abaixo dos mais de 90 bilhões de reais inicialmente estimados pela equipe econômica. O fato já fez o Ibovespa cair 1,55 por cento, diante de avaliações de que eventuais privilégios a militares comprometa as articulações no Congresso para andamento da reforma.

O noticiário doméstico fez o Ibovespa ir na contramão de Wall Street, onde os principais índices subiram na esteira de um rali do setor de tecnologia.

DESTAQUES

- LOJAS AMERICANAS caiu 5,58 por cento, enquanto a B2W caiu 6,31 por cento, os piores desempenho do Ibovespa, após divulgarem resultados considerados decepcionantes por analistas.

- PETROBRAS PN teve queda de 1,42 por cento, e PETROBRAS ON recuou 2 por cento, após o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) decidir contra a empresa em processo sobre cobrança de Cide de cerca de 2,2 bilhões de reais referentes a remessas ao exterior.

- ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,76 por cento, enquanto BRADESCO PN <BBDC4.SA declinou 2,2 por cento.

- VALE subiu 0,65 por cento, após a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Minas Gerais afirmar na véspera que "está providenciando a devolução" à companhia do certificado de operação da mina de Brucutu.

- COSAN avançou 1,1 por cento, ainda ecoando perspectivas positivas divulgadas pela empresa em encontro com investidores nesta semana.

Política
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