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Fim da escala 6x1: ato mobiliza trabalhadores na Praça da República, em Belém

Mobilização nacional cobrou a votação da proposta sem redução salarial no Congresso

Gabriel da Mota

Movimentos sociais, centrais sindicais e trabalhadores realizaram um ato pelo fim da escala 6x1 neste domingo (24), na praça da República, em Belém. A mobilização de caráter nacional reuniu categorias que defendem a extinção do regime de seis dias de trabalho por um de descanso, sob a justificativa de que a jornada atual é sacrificante e inviabiliza o bem-estar familiar. O objetivo do movimento é pressionar o Congresso Nacional para que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) seja votada sem que haja redução nos salários.

O representante das centrais sindicais do Pará e diretor executivo do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção e Mobiliário de Belém (STICMB), Joca Farias, destacou o desgaste enfrentado pelos operários nos canteiros de obras. Ele explicou que a escala prejudica diretamente quem reside em áreas distantes da capital.

"A nossa linha de reivindicações é a votação e o fim da escala. Os companheiros e companheiras que estão dentro do canteiro de obras vivem uma vida sacrificante. Quem mora em Mosqueiro ou Outeiro não tem vida social. O fim da escala 6x1 vai agregar bem-estar à família do trabalhador. Sabemos que é uma escala sacrificante, uma escravidão moderna que a categoria vive. Com o apoio da massa nas ruas, conseguiremos o fim da escala 6x1 sem redução de salário", afirmou.  

image Joca Farias, representante das centrais sindicais do Pará (Igor Mota / O Liberal)

Mães atípicas relatam perdas no desenvolvimento dos filhos

As dificuldades impostas pela jornada de trabalho também afetam as famílias de pessoas neurodivergentes. A coordenadora do Mães Atípicas da Pratinha, Rafaela Gurjão, de 40 anos, relembrou sua trajetória em regimes laborais nos quais trabalhava dois domingos para obter apenas um dia de folga. De acordo com ela, a falta de acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC) força muitas mães a buscarem empregos sob o regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).  

"Eu perdi muitas terapias do meu filho, que hoje tem 19 anos, por fazer parte desse tipo de escala. A mãe atípica que não tem rede de apoio sofre. É necessária e urgente a extinção da escala 6x1 para participarmos mais da vida dos nossos filhos. Queremos qualidade de vida. Não há noção da realidade que é ver os filhos crescerem longe com uma necessidade especial", declarou.  

image Rafaela Gurjão, coordenadora do Mães Atípicas da Pratinha (Igor Mota / O Liberal)

Movimento estudantil critica precarização e cobra o parlamento

O segmento universitário também aderiu ao protesto em Belém. O conselheiro universitário da Universidade Federal do Pará (UFPA) e representante estudantil, Cauê Oliveira, de 20 anos, explicou que os estudantes se opõem ao regime por precisarem dividir o tempo entre as obrigações acadêmicas e o emprego.  

"Os estudantes se mostram contra a escala, pois muitos trabalham e precisam dividir o tempo entre o emprego e a universidade. Precisamos de tempo para escrever artigos, fazer pesquisas e cumprir carga horária de extensão. Com os cortes orçamentários na educação, os auxílios permanência são burocráticos e escassos, o que nos empurra para trabalhos precarizados na escala 6x1 ou até na escala 7x0", detalhou o universitário.  

Cauê manifestou indignação com a atuação política em Brasília, criticando as negociações que tentam alterar o projeto original da PEC. "Vimos um ataque frontal, uma coalizão da extrema-direita com a direita tradicional e o centrão para destruir a PEC da escala 6x1, tentando aprovar uma jornada de 52 horas semanais, o que é um absurdo", criticou o conselheiro, que citou o papel de parlamentares como Érika Hilton e do vereador carioca Rick Azevedo na repercussão nacional do tema.