Dia do irmão celebra uniões de laços sanguíneos e amizades
Dia 5 de Setembro é o dia dos irmãos, um momento para exaltar relações familiares e de pessoas que se tornam especiais
Hoje é comemorado o dia do irmão. A data celebra aqueles com grau de parentesco sanguíneo, mas também os que criam laços tão intensos que acabam fazendo parte de uma mesma família. A iniciativa partiu da Igreja Católica, que escolheu o dia 5 de setembro para homenagear o aniversário de morte da missionária Madre Teresa de Calcutá.
No contexto religioso, a palavra "irmão" significa estar próximo, unido a uma outra pessoa. Essa definição é muito representativa para as irmãs Samara e Samy Rodrigues.
As duas são gêmeas univitelinas, ou seja, são idênticas. Além da aparência, elas compartilham 100% das mesmas características genéticas e possuem o mesmo tipo sanguíneo.
"As pessoas costumam achar que compartilhamos as mesmas dores físicas, mas não é bem assim (risos). É muito mais forte a empatia entre nós. Desde a gestação estamos juntas. Nas escolas, mesma classe e atividades. Somos muito unidas e com forte ligação intuitiva. Acontecem coisas ruins e eu só agradeço por ter ela comigo", conta a estudante Samy Rodrigues.
As gêmeas lembram que em todas as discussões que já tiveram, foi tirado um aprendizado. "Qualquer convivência traz conflito. Apesar de gêmeas, temos gostos e opiniões diferentes. Aprendemos a ouvir e respeitar as diferenças. Tentamos tirar aprendizados e fortalecer a nossa união de qualquer conflito que possa vir a ter", acrescentam as estudantes.
O processo de socialização começa nos laços familiares. É a primeira forma de construção de personalidades e é construído ao longo do tempo. A psicóloga Maria Gonçalves, atuante na Universidade do Estado do Pará (Uepa) explica que as relações entre irmãos têm um impacto significativo no desenvolvimento humano. " Essa convivência, ao longo do tempo, tem efeitos importantes sobre a saúde e o comportamento. Impacta no autocuidado, na expectativa de vida e na capacidade de dar e receber afetos. Sendo imprescindível a reciprocidade", explica.
Ligações intuitivas que vão além da relação de parentesco
A amizade é recente, mas todas as vivências diárias foram o suficiente para se tornarem muito mais que apenas parceiros de trabalho. A supervisora comercial Hannah Mendonça, conheceu o Paulo Cezar, consultor de Relacionamento, na disputa por uma vaga de emprego na mesma empresa. O que parecia ser um ambiente para disputa, se tornou o momento ideal para iniciar uma nova amizade.
"Nós nos conhecemos em 2019. Estávamos concorrendo para o mesmo cargo. No final, os dois foram selecionados para a mesma unidade. No início, a ajuda era mútua, cada um usava os seus pontos fortes para ajudar o outro em alguma dificuldade. Essa relação foi essencial no início. Também foi o nosso primeiro emprego, os dois estavam passando por momentos muito parecidos. Acredito que isso tenha sido o principal motivo para nossa amizade instantânea", afirmou Hannah Mendonça.
Com a chegada da pandemia, nem mesmo o home office conseguiu abalar a união entre os dois. "Todos os dias a gente fazia vídeo chamadas para falar sobre o emprego e nossas vidas. Sinto que esse momento foi muito importante para entender que a amizade nem sempre é contato físico, eu sinto uma conexão com a Hannah até quando ela não está perto", relata o consultor de relacionamentos que atua em uma escola de idiomas.
Foi durante esse período pandêmico que Hannah considera ter sido um dos mais significativos para os dois. "Uma semana antes da primeira vacina ser aprovada no país, perdi o meu pai para a covid-19. Eu recebia todas as notícias enquanto estava trabalhando e a confirmação do falecimento dele veio durante o expediente. Foi o Paulo que me informou e não teria uma pessoa melhor pra me dar notícia. Foi difícil demais. Ele não é uma pessoa de muitas palavras, mas só de estar ao meu lado já vale muito", relembra.
Conflitos fazem parte do crescimento pessoal
A psicóloga Maria Gonçalves acrescenta que a convivência gera conflitos. E quando as divergências são positivas, nos ajudam no aprendizado e no crescimento pessoal. "O convívio diário familiar possibilita testar os próprios limites, com capacidade de separar o que é meu e o que é do outro, lutar pelo próprio espaço, compartilhar, cuidar e desenvolver sentimentos que se perpetuam na história de vida de cada irmão", conclui.
Paulo e Hannah entendem bem que a rotina de trabalho é cansativa, mas foi na convivência que a amizade e a aproximação ficaram maiores. "Temos uma mania de falar 'Me ajuda a pensar aqui'. E é bem isso o que tudo isso significa: ajuda. Sabemos que ser amigo não é sobre falar tudo, e sim o necessário. O diálogo é a base da nossa amizade, de tudo que construímos no dia-a-dia. É escutar e respeitar o outro", concordam os amigos
(Karoline Caldeira, estagiária sob a supervisão de Ana Carolina Matos, de O Liberal)
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