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Os caminhos do cobre

Conheça a história do minério presente desde o período neolítico

Thamyres Assunção

Dos mais antigos do mundo, o cobre é daqueles minérios extremamente necessários para a evolução humana. A História nos conta que ele acompanha o homem desde os primórdios, quando era utilizado, ainda no período neolítico, na fabricação de ferramentas de trabalho e armas, em substituição ao uso da pedra. Descoberto, segundo estudos, na ilha de Chipre (antes, denominada Cyprus e, depois, Cyprium), no Mediterrâneo, o cobre é o elemento químico de número 29 na tabela periódica cujo símbolo é “Cu” por conta do nome derivado do latim “Cuprum”, recebido em alusão ao local onde supostamente foi encontrado.

Trata-se de um minério que ganhou relevância industrial e seu uso atravessa gerações por conta de suas propriedades. Terceiro metal mais utilizado em todo o mundo (só perde para o ferro e o alumínio), o cobre, que tem uma cor avermelhada diferenciada, possui alta durabilidade, resistência à corrosão, maleabilidade (pode ser beneficiado em diferentes formatos, de acordo com a necessidade de utilização) e boa ductibilidade (capacidade de condução elétrica). São essas características que fazem com que os produtos que utilizam esse metal em sua composição tenham melhor eficiência e maior durabilidade. E podemos encontrar cobre e suas ligas (junção com outros metais) em diversos produtos: componentes elétricos, em componentes da construção civil, em instrumentos musicais, joias, utensílios de cozinha como panelas e tachos e até mesmo na arte, em esculturas que duram por décadas. Segundo informações do Anuário Brasileiro do Cobre da Associação Brasileira do Cobre (ABCobre), em 2019, o cobre teve sua utilização empregada em 5 grandes áreas: equipamentos, indústria, construção civil, infraestrutura e transportes.

No Pará, a Vale é a responsável pela principal operação de cobre na região. São nas Unidades Sossego e Salobo em que o minério é extraído, beneficiado e exportado. Descoberta em 1997, a Mina do Sossego, localizada em Canaã dos Carajás (sudoeste do Estado), foi a primeira mina de cobre em operação da empresa e teve suas operações iniciadas em 2004. Foi um marco na atuação da Vale que, com ela, conquistou participação importante no mercado de extração e beneficiamento de cobre, dentro e fora do país. Já a Unidade Salobo, localizada no município de Marabá, no sudeste do Pará, iniciou suas operações em 2012. Algumas características são determinantes para que haja maior concentração do minério nessas localidades. “A concentração se dá por uma série de fatores geológicos combinados que envolvem tipos de rocha, mineralogia e condições de formação. Esse depósito de cobre do Sossego é formado basicamente por minerais sulfetados calcopiriticos, de origem hidrotermal, que são fluidos enriquecidos em cobre que se alojam em e formam depósitos com condição de serem explorados e economicamente viáveis”, explica a gerente de Manutenção Elétrica da Mina Sossego, Patrícia Gomes Santos.

Os caminhos do minério no Pará compreendem três etapas fundamentais: a lavra, o beneficiamento e a exportação. “O método de lavra é à céu aberto em forma de cava. O processo consiste em perfurar, desmontar, carregar e transportar o minério das cavas para a usina de beneficiamento. O beneficiamento do minério, por sua vez, é realizado por etapas de cominuição usando britadores primários, moagem primária SAG, moagem de bolas, flotação, remoagem do concentrado rougher (moinhos verticais), espessamento, filtragem do concentrado e sistema de estocagem de concentrado. Após a estocagem de concentrado, o produto é transportado via caminhões para Parauapebas (PA) e, em seguida, para o Porto de Itaqui, em São Luís, no Maranhão, via Estrada de Ferro Carajás (EFC)”, complementa a gerente Patrícia Santos.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará (Sedeme), no primeiro bimestre de 2021, foram produzidas 121.13 mil toneladas do chamado concentrado de cobre, que é o minério beneficiado. A produção de minério beneficiado foi de 902,7 mil toneladas no ano de 2020, onde houve um incremento de 6,8% em relação à 2019, quando a produção foi de 845,5 mil toneladas. As reservas medidas de cobre no Estado do Pará são de, aproximadamente, 36 milhões de toneladas. No ranking nacional de produção de concentrado de cobre, minério beneficiado, o Pará é o maior produtor nacional. Ainda de acordo com a Sedeme, mais de 90% da produção são destinados à exportação, gerando um lucro de US$ 1,899 bilhão, perdendo apenas para o ferro. Segundo informações mais recentes do Anuário Mineral do Pará, no ano de 2018, os principais destinos do cobre para o mercado externo se concentraram na Europa e Ásia, em países como Alemanha, Suécia, Polônia, Coreia do Sul, Bulgária, China e Filipinas. 

Tanta procura e um mercado em franco crescimento se justificam: esse é um minério em que se “aposta alto” para usos específicos em tecnologias que tornem o mundo cada vez mais acessível, automatizado e que proporcionem um futuro mais sustentável e ambientalmente responsável. Por possuir uma excelente qualidade de transmissão de dados, o cobre, por exemplo, é fundamental para a composição de cabeamentos que tendem a deixar ainda mais velozes os sinais de telefonia e internet, facilitando o acesso à rede. Uma outra aplicação do minério é nos transportes. O cobre faz parte da constituição básica de carros, aviões, navios e trens e um de seus usos mais promissores está no mercado de eletromobilidade, na produção de veículos elétricos e híbridos. “Com a nova tendência para geração de fontes de energia renováveis, em que parte das baterias elétricas necessita da matéria prima para a industrialização, o valor agregado do cobre aumentou. O setor de mineração de cobre está em expansão. Podemos observar que tivemos recorde de preço do cobre em maio de 2021”, afirma Patrícia.

Segundo projeções da Associação Brasileira do Cobre (ABCobre), a versatilidade desse minério garante que ele tem potencial e pode ser usado ainda em outros setores, como na área da saúde (na medicina seria utilizado como um componente das peças médicas com alto poder antimicrobiano), na aquicultura (em substituição às redes que hoje são feitas com material plástico) e na energia renovável, em sistemas de energia eólica e térmica solar, dentre outros.

Com tantas possibilidades, o cobre produzido no Pará, além de proporcionar, no presente, desenvolvimento socioeconômico para o Estado, gerando emprego e renda para a população e as comunidades do entorno das operações, também pode colaborar para garantir um futuro mais consciente e sustentável em todo o mundo.

 

Nosso Minério
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