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Aliado da tecnologia

O segundo elemento mais abundante em quantidade na crosta terrestre (só perde para o oxigênio) é o único a não ser encontrado isolado na natureza. Curioso, não é? Estamos falando do silício, minério fundamental para o avanço da tecnologia e que é possível de ser achado em quase todos os solos do planeta.

O silício (elemento químico de número 14 na tabela periódica cujo símbolo é “Si” e o nome deriva do latim “silicis” ou “silex, que significa “pedra dura”) é extraído do quartzo, mineral abundante, encontrado em quase todos os tipos de rocha, tais como as chamadas rochas ígneas (granito-granodiorito, riolito e pegmatito), as metamórficas (gnaisses e xistos e, principalmente, quartzitos) e as rochas sedimentares (arenito).

Já que não é encontrado isoladamente no meio ambiente, o silício sempre se combina com outros elementos químicos para formar, por exemplo, a sílica (dióxido de silício, formado a partir da junção com o oxigênio), os asbestos (silicato fibroso) e a mica (um tipo de filossilicato). Para que você compreenda, um desses asbestos é o conhecido amianto, material muito utilizado em outros tempos, por exemplo, na construção civil e na confecção de telhas, caixas d’água e tanques. O silício também pode formar os chamados polímeros de condensação e o mais conhecido deles você certamente tem na sua casa: o silicone. O silicone é um polímero de silício altamente utilizado em borrachas de alta vedação, brinquedos, bicos de mamadeira e nas famosas próteses estéticas, dentre outros. 

Os painéis de energia solar possuem silício em suas estruturas de captação de energia (Divulgação)

No Brasil, segundo dados da Associação Brasileira dos Produtores de Ferroligas e Silício Metálico (ABRAFE), é possível encontrar uma maior concentração de indústrias de produção desse minério no Estado de Minas Gerais. Aqui no Pará, de acordo com informações da Agência Nacional de Mineração (ANM), os primeiros registros de concessão de área para estudo de silício na região surgiram na década de 1980. Atualmente, na Amazônia, existe apenas um pólo de produção de silício metálico que atua nos municípios de Breu Branco, Moju e Tucuruí. “O estado do Pará, em especial na região de Tucuruí, ocorre uma unidade geológica chamada de “Província Transamazonas”, que se formou a mais de 2 bilhões de anos e que é constituída por uma associação de rochas ígneas, metamórficas e sedimentares. Quando da construção da Hidrelétrica de Tucuruí, importantes jazidas de quartzo foram encontradas com reservas que podem chegar a 30 anos de produção”, explica Gilmara Feio, doutora em Geologia e Geoquímica, pró-reitora de Pesquisa e Inovação Tecnológica da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA).

A extração e beneficiamento do silício metálico compreendem procedimentos bastante minuciosos em que são fundamentais as participações do carbono e da energia elétrica. “O silício metálico é extraído a partir do mineral chamado quartzo (SiO2), através de processo de redução carbotérmica em temperaturas superiores a 1.900ºC em fornos de arco elétrico, que possuem submerso eletrodos especiais de carbono pré-cozido. Após essa etapa, há um processo de purificação, que divide o silício metálico para uso químico, solar e sintético, conforme nível de pureza”, como detalha a geóloga. O escoamento da produção para exportação se dá na região nordeste do Estado. Segundo informações mais recentes do Anuário Mineral do Pará, no ano de 2018 foram exportadas 30.280 toneladas de silício metálico, o que corresponde a mais de 85 milhões de dólares. Os principais destinos do minério foram, ainda de acordo com o Anuário, os Estados Unidos (15.480t) e o Reino Unido (14.800t). 

Circuitos, chips, microchips 0 o Silício é um dos componentes mais "queridos" da indústria tecnológica (Divulgação)

A exportação predominante para os Estados Unidos e a Europa pode-se compreender facilmente por um motivo: por ser um bom semicondutor, o silício é o minério “mais querido” dos setores de tecnologia e soluções fotovoltaicas (com uso de luz solar). É utilizado, dentre outras aplicações, para a produção de células solares, fibra óptica e principalmente na fabricação de microchips para computadores, onde Europa e Estados Unidos são duas grandes potências industriais.

O investimento na produção do silício para esses setores pode auxiliar a garantir um futuro mais promissor com importantes avanços tecnológicos. “A produção de silício metálico abre portas para viabilizar o uso abrangente da energia solar fotovoltaica, a implantação local de indústria de microeletrônica e de produção de silicone e ligas metálicas, impulsionando geração de emprego e renda. Seria interessante um plano de pesquisa, desenvolvimento e inovação, induzido pelo Governo do estado ou até mesmo pelas grandes empresas de mineração da região. Talvez, com o uso mais cotidiano da energia solar, a demanda por atividades de pesquisas seria um ‘pontapé’ para uma produção maior de silício para uso eletrônico/solar. Atualmente, a maior parte do silício metálico produzido na região é usado para confecção de silicones e ligas metálicas”, afirma a professora Gilmara Feio.

 

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