Trump ameaça decretar emergência nacional para erguer muro na fronteira

Medida dispensaria a aprovação de fundos pelo Congresso

Agência Estado

Diante da resistência da oposição democrata em financiar a construção de um muro na fronteira com o México, o presidente americano, Donald Trump, ameaçou ontem declarar emergência nacional para realizar a obra. A medida dispensaria a aprovação de fundos pelo Congresso, dominado pelos republicanos no Senado, mas com maioria democrata na Câmara dos Deputados desde quinta-feira.

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"Eu posso fazer (decretar emergência nacional) se eu quiser", disse Trump em entrevista coletiva nos jardins da Casa Branca, após se reunir com líderes democratas no Salão Oval para discutir a paralisação parcial do governo, que já dura duas semanas. A paralisação mais longa da história americana ocorreu no governo de Bill Clinton - 21 dias -, entre dezembro de 1995 e janeiro de 1996. 

Trump confirmou que poderia manter o governo americano paralisado por "meses ou até por um ano". O presidente, no entanto, prometeu manter as negociações com os democratas. "Vamos trabalhar duro no fim de semana e ver o que conseguiremos "

Questionado se estava orgulhoso da paralisação, Trump afirmou que estava "orgulhoso" por ter feito mais nos últimos dois anos do que qualquer outro presidente dos EUA. 

"O Nafta (acordo de livre-comércio com México e Canadá) foi um desastre e eu renegociei. Fizemos a reforma tributária, criamos empregos e geram bilhões de dólares para os EUA", afirmou Trump, acrescentando que o dinheiro para o muro na fronteira com o México seria uma ninharia se comparado com as receitas criadas por seu governo com a renegociação do Nafta. 

Na noite de quinta-feira, horas após assumir o controle da Câmara dos Deputados, os democratas aprovaram um pacote orçamentário para o fim da paralisação, mas novamente não deram dinheiro para a construção do muro. 

A sessão foi comandada pela democrata Nancy Pelosi, eleita presidente da Casa horas antes. "O presidente não pode manter funcionários públicos como reféns porque ele quer construir um muro", disse Pelosi.

O projeto orçamentário dos deputados, contudo, precisa ser votado pelo Senado, que deve derrubá-lo. "Eu chamaria isso de teatro político, não de prática legislativa produtiva", afirmou o líder da maioria no Senado, o republicano Mitch McConnell.

Reajuste

A falta de salários ganhou ontem um componente incômodo depois que o jornal Washington Post revelou que, enquanto 800 mil servidores federais estão sem pagamento, centenas de assessores do alto escalão do presidente Trump estão prestes a receber um aumento anual de cerca de U$ 10 mil. 

O aumento a secretários, vice-secretários, administradores e até mesmo ao vice-presidente, Mike Pence, está programado para ser pago a partir de hoje sem necessidade de aval do Congresso. 

O aumento é uma consequência curiosa da paralisação: quando os congressistas não votaram o orçamento, no dia 21, permitiram que uma antiga lei que congelava os reajustes do alto escalão fosse derrubada. 

Em 2013, o Congresso americano promulgou a lei que limita os reajustes de salário dos principais executivos federais, mas ela precisa ser renovada todo ano. Mas, desta vez, os aumentos ocorrerão porque o limite para renovar a lei expira amanhã sem que haja nenhuma ação legislativa. 

Secretários de gabinete, por exemplo, poderão ter seus salários aumentados de US$ 199,7 mil para US$ 210,7 mil ao ano. Subsecretários receberiam aumentos de US$ 179,7 mil para US$ 189,6 mil anuais. Outros beneficiados serão vice-diretores e vários funcionários de alto escalão do governo. 

O salário de Pence está programado para subir de US$ 230,7 mil para US$ 243,5 mil ao ano. Na entrevista de ontem, Trump disse que estava considerando pedir a seu gabinete que não aceite o reajuste enquanto o governo estiver paralisado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo. (Com agências internacionais).

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