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Léo Cupertino aponta detalhes da preparação física na Seleção Brasileira

Preparador físico do Paysandu passou pela CBF entre 2022 e 2024, conquistando três títulos na base.

Junior Cunha | Especial para O Liberal

A lista dos 26 jogadores que vão defender a Seleção Brasileira na Copa do Mundo dos Estados Unidos, México e Canadá dividiu opiniões. Jornalistas, torcedores e personalidades do futebol não entraram em consenso sobre os escolhidos por Carlo Ancelotti para representar o futebol nacional em mais um torneio da Fifa. 

Um dos pontos questionados pela maioria foi a questão física de alguns jogadores. O caso mais específico é o de Neymar, atacante do Santos e principal nome da última geração do futebol brasileiro. Esta, inclusive, será a última Copa do Mundo que o camisa 10 vai disputar. 

Aos 34 anos, Neymar trata, neste momento, de uma lesão na panturrilha que aparenta ser mais grave do que o falado inicialmente, conforme informou a ESPN na última quinta-feira. Apesar disso, a convocação dele partiu de um intenso monitoramento entre CBF e Santos, além de uma reunião entre Ancelotti e o atacante. 

"Os clubes hoje estão próximos da Seleção. Os profissionais, diariamente, de acordo com a exigência de um determinado atleta ou não, estão interligados. Conversam quase que diariamente com os clubes para não perder nenhum detalhe, nenhuma forma de trabalho", destacou Léo Cupertino, preparador físico do Paysandu que acumula passagem pela Seleção Brasileira de base, em entrevista exclusiva ao O Liberal.

O profissional ressaltou que todo o processo diário do jogador no clube é observado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) visando as convocações para amistosos e demais torneios. O monitoramento é feito por relatórios enviados pelo clube para, a partir de então, traçar o modelo de trabalho a ser seguido na Seleção.

"Os profissionais que trabalham na CBF estão o tempo todo linkados com os clubes destes atletas. Quando eles chegam na Seleção, os relatórios dos clubes e as demandas da Seleção Brasileira, e traçam um plano individual para que ele possa chegar bem na Copa do Mundo".

"Às vezes o atleta está executando um trabalho específico para ganho de massa muscular, perda de peso, potência. Todas as capacidades físicas que são necessárias para um atleta performar, a Seleção está interligada. Os atletas já são pré-selecionados e a CBF está o tempo todo monitorando eles", completou.

Preparação complexa

Léo Cupertino apontou ainda que o cronograma de trabalho é feito visando uma temporada completa pelo clube. Segundo ele, com o foco voltado para o que será disputado naquele ano, o jogador tende a chegar apenas para ter a preparação física "potencializada" pela equipe da Seleção Brasileira. 

"A preparação física em um clube você visualiza as competições que terão ao longo do ano. Você tem que preparar o atleta para que ele esteja bem em todas as competições. Algumas capacidades físicas demandam mais tempo. Na Seleção, de posse desses dados do clube, você vai dar sequência a isso. Potencializar uma capacidade física ou não".

Outro ponto importante neste processo é a manutenção do que está sendo feito diariamente. Cupertino destacou que o recomendado é não "inventar" na preparação física da Seleção Brasileira. 

Neste aspecto, a justificativa é o tempo. Diferente dos clubes, quando há cerca de um mês de preparação para uma competição, no caso específico de uma Copa do Mundo serão apenas três semanas, no máximo, de trabalho em grupo antes da estreia. Além disso, a sequência de jogos em um curto espaço de tempo pode aumentar o risco de lesão em caso de mudança significativa de trabalho físico.

"O mais importante é que quando um atleta vai para a Seleção, ele não pode iniciar um trabalho que seja novidade para ele. Você vai ter uma mudança drástica de algo que ele vem fazendo durante um, dois, três meses e chegar na Seleção em uma fase de preparação de duas, três semanas para uma Copa do Mundo. Cabe aos profissionais que estão lá dar sequência a isso com as informações que tem para que não mude drasticamente, o que pode ocasionar alguma lesão porque demanda de um período de adaptação (ao novo modelo de trabalho)".

Trabalho extra

Além da Seleção Brasileira, onde trabalhou entre 2022 e 2024 e conquistou títulos continentais com as equipes sub-20 e sub-23, Léo Cupertino passou por clubes como América-MG, Vasco, Bahia, Vitória, Coritiba, Vila Nova, entre outros. 

Aos 53 anos, ele foi convocado em março deste ano para integrar a seleção sub-20 do Peru nos amistosos contra o Chile. 

A experiência em alguns dos principais clubes do Brasil e as passagens por Seleções deram ao profissional do Paysandu um aspecto diferente na preparação física: o "olhar" para o lado humano do atleta. 

"Sempre fiquei muito preocupado com o lado humano do atleta. Hoje, a competitividade, a cada dia que passa, exige mais do atleta. Não falamos apenas da performance física. Sou muito preocupado com o lado mental. Estamos falando sobre isso. Temos pesquisa, artigos e profissionais falando sobre isso", ponderou.

Para ele, saber lidar com a pressão em um esporte de alto rendimento como o futebol, e em competições como a Copa do Mundo, podem fazer a diferença no resultado final do trabalho. Cupertino é direto ao citar que este é o "ganho maior" que teve na carreira com a passagem na Seleção Brasileira.

"Na preparação, precisamos entender que o atleta não é uma máquina. Lógico que ele entra em um período de competição onde é muito cobrado por isso. Mas a parte mental me preocupa muito. (...) A parte mental, que é a experiência que tenho, e passei na Seleção, é o maior ganho que estamos tendo aqui", finalizou. 

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