Economia prateada impulsiona novos negócios e atrai empreendedores acima dos 60 anos no Pará
Casal transforma experiência de vida em novo negócio em Belém
O envelhecimento da população brasileira tem transformado o mercado e criado novas oportunidades de negócios voltadas ao público com mais de 60 anos. Esse movimento, conhecido como economia prateada, reúne produtos, serviços e iniciativas direcionadas à população idosa, que também passou a ocupar um espaço maior como empreendedora. No Brasil, o segmento já movimenta cerca de R$ 2 trilhões, segundo levantamento da consultoria Data8.
Dados da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que, até 2050, o mundo terá mais de 2,1 bilhões de pessoas acima dos 60 anos. No Brasil, a projeção é de 68,1 milhões de idosos no mesmo período. O avanço dessa faixa etária, impulsionado pelo aumento da longevidade e pela queda da taxa de natalidade, tem sido chamado de “tsunami prateado”.
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Segundo o estudo Tsunami 60+, desenvolvido pela Hype 60+ em parceria com a Pipe Social, até 2030 haverá mais pessoas maduras do que brasileiros com até 14 anos. Além do impacto demográfico, o levantamento destaca o potencial econômico desse público, que deverá responder por cerca de 20% do consumo no país, movimentando aproximadamente R$ 1,6 trilhão.
Nesse cenário, o casal de empreendedores Marcos Lima, de 68 anos, e Marselha Lima, de 54, decidiu investir em um novo negócio em Belém após décadas de experiência profissional.
Novo começo na maturidade
O empreendimento do casal reúne dois segmentos: venda de frutos do mar e higienização de capacetes. Segundo os empresários, a ideia surgiu da busca por atividades ainda pouco exploradas na capital paraense.
“Temos um ponto onde iremos vender frutos do mar e também oferecer higienização de capacetes. Escolhemos essas duas áreas porque identificamos oportunidades tanto na venda de alimentos quanto em um serviço que ainda não está saturado em Belém”, afirmaram.
Antes de iniciar o novo negócio, Marcos trabalhava com cargas domésticas. A decisão de empreender, segundo o casal, veio da busca por uma melhor condição de vida e novas fontes de renda.
Para eles, empreender na maturidade também representa autonomia e permanência na vida ativa. “Empreender acima dos 60 anos é retornar à vida ativa e ter um objetivo. É mostrar que continuamos capazes de realizar diferentes atividades e manter nossa dignidade e independência”, destacaram.
Mercado em expansão
De acordo com Sebrae, o interesse do público acima dos 60 anos pelo empreendedorismo tem crescido no Pará, principalmente entre pessoas que buscam complementar renda, permanecer ativas profissionalmente ou transformar experiências acumuladas ao longo da vida em negócios.
O gerente da Unidade de Negócios de Impacto do Sebrae/PA, Igo Silva, afirma que existe um movimento de valorização da experiência do empreendedor maduro, especialmente em áreas ligadas à economia criativa, alimentação, turismo, consultoria e serviços. “O Sebrae orienta que esse empreendedor busque capacitação, principalmente em ferramentas digitais e gestão financeira, faça pesquisas antes de grandes investimentos e aproveite a própria trajetória profissional como diferencial competitivo”, afirmou.
Segundo ele, setores como alimentação, produção artesanal, bioeconomia, turismo, educação e negócios ligados ao cuidado e bem-estar estão entre os que apresentam maior potencial para empreendedores da terceira idade no estado. “O Pará possui um potencial importante nesse segmento justamente pela valorização das relações humanas, dos serviços personalizados e da cultura regional. Muitos empreendedores maduros conseguem transformar habilidades tradicionais e conhecimentos regionais em diferencial competitivo”, destacou.
O Sebrae informou ainda que oferece capacitações gratuitas presenciais nas 13 agências do estado e também pela plataforma online da instituição, com cursos voltados para gestão financeira, marketing digital e vendas online, além de consultorias para formalização e desenvolvimento dos negócios.
*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia
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