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Além dos remédios: terapias alternativas conquistam tutores paraenses

Apesar de eficiente, mercado pet ainda não tem grande adesão em Belém e conta com poucos especialistas

Maycon Marte
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Os cuidados com a saúde dos animais de estimação têm avançado para além dos tratamentos convencionais. Em Belém, técnicas como acupuntura e ozonioterapia começam a ganhar espaço entre tutores que buscam melhorar a qualidade de vida dos seus pets, especialmente daqueles que convivem com dores crônicas, doenças articulares e outras condições que exigem acompanhamento contínuo. A médica veterinária paraenses Aline Lima, especialista em medicina integrativa, explica que o nicho ainda é pouco explorado na capital paraense, mas reforça que há uma demanda grande de pacientes.

Embora a medicina integrativa veterinária já esteja consolidada em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e na maioria das regiões Sul e Sudeste do país, a área ainda dá os primeiros passos no Pará. Como avalia Aline, o principal desafio para a expansão do segmento é a falta de informação sobre os benefícios que essas abordagens podem oferecer. Esse diferencial está, segundo ela, na abordagem de enxergar o paciente de forma global. Em vez de focar exclusivamente na doença, a proposta é compreender o funcionamento do organismo na totalidade e identificar quais fatores podem estar impactando a saúde e o bem-estar do animal.

“Não tratamos apenas a doença. Avaliamos o paciente como um todo para entender suas reais necessidades. Questões como qualidade do sono, saúde mental, controle da ansiedade e bem-estar geral também influenciam diretamente na recuperação e na qualidade de vida”, explica a veterinária.

A abordagem pode ser aplicada em animais de todas as idades e perfis. No entanto, na sua experiência, os pacientes que mais procuram esse tipo de atendimento são os idosos, principalmente aqueles que apresentam doenças articulares, limitações de mobilidade e dores crônicas. Ainda assim, a medicina integrativa também pode ser utilizada de forma preventiva em animais jovens, contribuindo para a manutenção da saúde ao longo da vida.

Na rotina clínica, Aline observa que os casos mais frequentes envolvem problemas dermatológicos e gastrointestinais. Muitos pacientes chegam encaminhados por especialistas de outras áreas da medicina veterinária, como dermatologistas, mas também há tutores que buscam diretamente as terapias integrativas, para complementar tratamentos já em andamento ou simplesmente proporcionar mais qualidade de vida aos animais.

O tratamento é definido após uma avaliação individualizada, com uma variação de média de R$ 100 a R$ 200 por sessão. A partir da consulta inicial, são selecionadas as técnicas mais adequadas para cada caso. Entre os recursos mais utilizados estão a acupuntura e a ozonioterapia, que podem ser aplicadas de forma complementar.

A trajetória da veterinária na área começou justamente pela busca de alternativas para o controle da dor. Anestesista de formação, ela se especializou inicialmente em acupuntura para atender pacientes com dores articulares crônicas. Posteriormente, incorporou a ozonioterapia ao atendimento e percebeu que as duas técnicas atuavam de forma complementar, ampliando os benefícios observados nos tratamentos.

“Vi a necessidade de poder atender o paciente, por exemplo, com uma dor crônica articular, então comecei a trabalhar com a acupuntura. Depois veio o ozônio, que também tem uma ação para a dor também e, hoje, estudando a ozônio, vi que o quanto ele pode trabalhar tantas outras coisas, não só a parte articular, mas também a imunidade, por exemplo. Foi quando vi que as técnicas se somavam, assim a gente consegue potencializar o efeito usando várias técnicas juntas”, detalha Aline.

Na prática

A busca por alternativas aos tratamentos convencionais levou a advogada Sarah Serrão a procurar a medicina integrativa para a cadela Remela, de 14 anos. A pet convive há anos com problemas dermatológicos severos e passou por diferentes especialidades veterinárias, incluindo dermatologia, oncologia e cirurgia. Segundo a tutora, as medicações tradicionalmente indicadas não apresentavam os resultados esperados e frequentemente provocavam efeitos colaterais como vômitos, diarreias, reações alérgicas e episódios de taquicardia, já que o animal possui restrições a determinados medicamentos, especialmente corticoides.

Após uma extensa investigação clínica, os exames descartaram um diagnóstico oncológico e apontaram uma doença rara com características semelhantes às enfermidades autoimunes. Diante das limitações dos tratamentos convencionais, a própria equipe de especialistas que acompanhava o caso recomendou a busca por terapias integrativas. Foi então que Remela iniciou sessões de ozonioterapia para cicatrização de feridas, além de procedimentos complementares como laserterapia e acupuntura.

De acordo com Sarah, os resultados começaram a ser percebidos pouco tempo após o início do tratamento. A cadela voltou a se alimentar adequadamente, passou a dormir melhor e não apresentou novas lesões de pele, além de demonstrar mais disposição no dia a dia. Para a tutora, a principal conquista tem sido a recuperação gradual da qualidade de vida do animal, especialmente em uma fase mais avançada da vida.

"A qualidade de vida dela caía muito com os tratamentos anteriores. A gente investia tempo, dinheiro e expectativa, mas não via melhora. Depois que começamos a ozonioterapia e as outras terapias integrativas, ela voltou a comer, a dormir melhor e não teve novas crises alérgicas. Aos 14 anos, o que a gente busca é qualidade de vida, e é isso que estamos conseguindo recuperar aos poucos”, enfatizou a advogada.

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