Petrobras corta o patrocínio a projetos de cinema, música e teatro

Ao todo, 13 projetos foram afetados, como o Prêmio da Música Brasileira e a Mostra de Cinema de São Paulo

Agência Estado

Entre os projetos culturais atingidos pela suspensão do patrocínio da Petrobras estão o Prêmio da Música Brasileira; o Festival do Rio de Janeiro; os Festivais de Cinema de São Paulo, Brasília e Vitória; Anima Mundi; o Festival de Teatro de Curitiba; o Teatro Poeira, do Rio; a Sessão Vitrine e CineArte, de São Paulo; além do Clube do Choro, uma das principais casas de música de Brasília, e a Casa do Choro, no Rio.

A Petrobras iniciou o corte do programa de patrocínio cultural com a retirada de verbas de sete projetos das áreas audiovisual, três de música e um de teatro. Ao todo, a empresa deixou de renovar 11 iniciativas que “historicamente contaram com patrocínio”. Outros dois, na mesma condição, já não tinham sido contemplados em anos anteriores: os festivais de teatro Porto Alegre em Cena e o Festival de Curitiba.

A empresa está revendo contratos firmados nos governos anteriores, principalmente com grandes grupos de teatro e cinema. Na nova gestão, o foco passará a ser em educação na primeira infância, ciência e tecnologia.

“A Petrobrás segue realizando apoio a projetos culturais. O orçamento para patrocínios, assim como diversas outras áreas, sofreu redução à luz do Plano de Resiliência divulgado no dia 8/3/19. Por essa razão, tivemos projetos nas áreas de audiovisual e artes cênicas já concluídos, que não foram renovados. Os contratos vigentes estão em andamento e com seus desembolsos em dia”, afirmou a Petrobras em nota oficial, acrescentando que a intenção é readequar o orçamento. 

Questionada pelos deputados federais Áurea Carolina e Ivan Valente, ambos do PSOL, a estatal respondeu que o “orçamento de 2019 está dimensionado para honrar contratos vigentes e projetos oriundos da chamada pública de música cujos resultados serão divulgados”. Um edital aberto no final do ano passado deve contemplar com R$ 10 milhões no total 19 músicos de 2 mil inscritos. A divulgação dos vencedores já foi adiada por duas vezes. 

O empresário José Maurício Machline conta que tudo estava acertado para que seu Prêmio da Música Brasileira seguisse com o patrocínio. “Eles afirmaram que, de todos os patrocinados, o Prêmio era o que mais dava retorno para a marca. Pediram então um projeto ainda maior de circulação e eu fiz, mas agora veio essa decisão.”

Ele afirma que já está no mercado para conseguir captar verba via Lei Rouanet para fazer a próxima edição da festa. “Já tenho aprovação para esse projeto.” Se não tivesse, seria certamente impedido, desta vez, pelas mudanças na Lei Rouanet prestes a serem anunciadas pelo governo federal, que vai baixar o teto por projeto, de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão.

 

Cultura
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