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Dira Paes diz que a 'Amazônia é a pauta do momento' e precisa se conectar com o mundo

“Nós (Amazônia) temos que nos estruturarmos para podermos receber todas as produções (de cinema, de arte em geral) que forem voltadas para o Norte (do Brasil)”, defende.

Abílio Dantas

A atriz paraense Dira Paes, que está na reta final das gravações do remake de Pantanal, da TV Globo, se prepara para voltar a Belém no Círio de Nazaré, no próximo mês de outubro. A artista vai unir o útil ao agradável, pois vem gravar um filme na capital paraense e aproveitará a oportunidade para participar da maior festa de fé do povo do Pará ao lado dos familiares e amigos, algo que não realiza há alguns anos.

Confira a seguir a entrevista exclusiva da atriz para o coordenador do Núcleo de Cultura de O Liberal, Abílio Dantas. Dira Paes inicia com uma avaliação sobre as personagens que interpreta em Pantanal e no recente longa-metragem de sucesso, ‘Pureza’. Na novela, Filó consegue se casar com o amor da vida, José Leôncio, filho do dono da fazenda em que mora, com quem tem um filho. Já no filme, ela vive uma mãe da vida real que percorre fazendas e mobiliza autoridades em busca do filho desaparecido, submetido ao trabalho análogo à escravidão no interior do Pará e Maranhão.

Na sequência, ela conta os planos da carreira para os próximos meses, reflete sobre o cinema brasileiro e sobre a Amazônia. Para ela, a região deve se preparar para ter cada vez mais atenção mundial não apenas no cinema, mas em várias searas do meio artístico.

1) Dira, falta menos de um mês para o fim da novela ‘Pantanal’, na qual você interpreta Filó. Com o lançamento do filme ‘Pureza’, é possível dizer que seu ano está sendo marcado por essas duas personagens? O que elas têm em comum?

Pureza e Filó elas são, sobretudo, mulheres brasileiras. Mulheres que todo mundo reconhece, que todo mundo tem uma referência, principalmente, mulheres que são fortalezas, que são alicerces, que não se contentam em viver a vida de forma passiva. São pessoas que são mobilizadoras naturais. Acho que as duas se unem nesse ponto, Pureza e Filó.

2) Sabemos que uma novela toma bastante tempo de trabalho, no entanto, você também foi curadora do Festival de Gramado, este ano. Na sua opinião, quais são as principais características do cinema brasileiro que está sendo feito hoje?

A principal característica do cinema brasileiro hoje, sem dúvida nenhuma, é a diversidade, é a necessidade de retratar os temas urbanos, assim como os temas rurais. O Brasil quer se ver. O Brasil produz muito bem, mas o Brasil produz melhor quando fala da sua brasilidade. Nesse sentido, nós temos muito a falar, principalmente se tratando de um Brasil intrínseco, como a Amazônia, onde se passa o filme ‘Pureza’, e o Pantanal, onde se passa a novela.

Uma artista paraense nas telas do cinema e da tevê. (Renan Oliveira/ Divulgação)

3) Em âmbito nacional, o ano é marcado pelas eleições. Como artista e amazônida, você acredita que as questões da Cultura e da região Norte estão sendo pautadas devidamente no debate eleitoral?

Eu acho que as questões de cultura, durante esse governo nefasto, foram negligenciadas. Houve censura, houve cerceamento de assuntos e de propostas e houve também um desincentivo às produções culturais. Mas, visto que somos um mercado forte e pulsante, eu acredito que a Amazônia é a grande pauta do momento. E nós temos que nos estruturarmos para podermos receber as grandes produções e não só as grandes, mas todas as produções que forem voltadas para o Norte. Para isso, nós temos que estar com as nossas estruturas e a possibilidade de termos mão-de-obra local, tanto para trás das câmeras, quanto para frente das câmeras, ou no palco ou na música, no teatro, na pintura, eu acho que temos que estar conectados com o mundo porque o mundo quer se conectar com a Amazônia e isso nós vamos perceber cada vez mais. Isso vai acontecer de uma maneira ampla e definitiva. A Amazônia é uma região que é a grande guardiã da biodiversidade mundial. Então, nós temos que ter essa responsabilidade e, ao mesmo tempo, essa territorialidade.

4) Você já pode adiantar quais são seus próximos projetos, após o fim de Pantanal (e de um merecido período de descanso, é claro)?

Antes de tirar o período de descanso da novela Pantanal, eu vou rodar um filme em Belém do Pará chamado “Manas”, da Mariana Brenan, que é diretora, e eu estou muito feliz por ter casado (a agenda) com o Círio, por ser em Belém, por poder estar com a família. E depois desse longa-metragem, eu vou tirar as minhas férias e me dedicar aos meus filhos. Antes disso, a gente ainda está totalmente envolvido com Pantanal até o final das gravações.

5) Todo o povo do Pará já vive a expectativa da volta do Círio de Nazaré às ruas. Você virá para a festividade? Que emoções a proximidade de outubro lhe traz?

Eu, felizmente, foi estar presente este ano, no Círio de Nazaré. Fazem alguns anos que não consegui participar. E, sem dúvida nenhuma, é um congraçamento, é o momento de poder viver junto com o povo nas ruas o momento de alegria, de celebrar a paz, a igualdade, a solidariedade, a amizade e vibrar para que a gente tenha novos ventos, que a gente possa colher novos frutos, que outubro seja abençoado para que a gente tenha um Brasil revigorado. É isso que eu desejo.

Palavras-chave

Cultura
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