Dia do Orgulho Geek destaca histórias de paranses que vivem o cosplay além da fantasia
Entre maquiagem, armaduras e improvisos, cosplayers relatam experiências dentro da cultura geek
Perucas coloridas, lentes, armaduras artesanais, maquiagem detalhada e horas de preparação fazem parte da rotina de quem participa do universo cosplay. Por trás dos personagens que circulam em eventos geek, porém, também existem histórias pessoais ligadas à autoestima, pertencimento e expressão criativa. No Dia do Orgulho Geek, celebrado nesta segunda-feira (25), mulheres que participam da comunidade cosplay compartilharam experiências sobre como os personagens e os eventos passaram a ocupar espaço importante em suas vidas.
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Entre elas está Amanda Kelly de Barros Brito, de 30 anos, segundo-tenente do Corpo de Bombeiros e nutricionista. Ela começou oficialmente no cosplay em 2022, ao improvisar uma versão da personagem Mulher-Gavião, heroína que acompanhava ainda na infância nos desenhos da Liga da Justiça.
Apesar de já ter contato com o universo geek desde a pré-adolescência, Amanda afirma que os eventos ajudaram no desenvolvimento da autoconfiança e de habilidades criativas relacionadas à produção dos figurinos.
“Me ajudou no sentido de compreender minhas habilidades para improvisar e fabricar alguns itens quando necessário. Traz um sentimento de capacidade bem legal”, contou.
Segundo ela, o universo geek também ultrapassa o entretenimento e contribui para ações sociais e projetos coletivos. “Quando vi o carinho das pessoas vendo seus personagens favoritos sendo representados, percebi que é um amor compartilhado. Isso pode atuar até em campanhas de doação de sangue ou ajuda a abrigos de animais”, declarou.
Mulheres relatam desafios enfrentados no universo geek
Apesar do ambiente de identificação e troca, mulheres ainda relatam episódios de machismo e descredibilização dentro da comunidade geek. A estudante de Direito Nabelle Akemi, de 23 anos, que começou no cosplay em 2020, afirma que já percebeu esse tipo de comportamento em diferentes ambientes.“Acredito que existe em todos os meios infelizmente”, comentou.
Entre os personagens favoritos da jovem estão Mulher-Maravilha e Chun-Li. Segundo ela, uma das experiências mais marcantes durante os eventos é a interação com crianças.
“Quando eu comecei a ir para eventos pra me divertir e vinham várias crianças me abraçando e querendo tirar fotos acreditando que eu realmente era aquele personagem”, relembrou.
Nabelle contou ainda que o cosplay ajudou no enfrentamento da timidez. “Quando estou de cosplay, eu consigo me soltar e interagir mais como se eu fosse o próprio personagem”, afirmou.
Ela também defendeu maior estrutura de acolhimento e segurança para mulheres em eventos geek. “Eu gostaria que os eventos tivessem uma segurança melhor e uma central de atendimento para ajudar as mulheres”, disse.
Mesmo assim, a estudante destaca o acolhimento encontrado dentro da comunidade. Atualmente, ela integra a Liga Cosplay Pará. “Fui sem medo de ser julgada e me acolheram como parte deles”, contou.
Improviso e criatividade ajudam a reduzir custos dos figurinos
Se nas redes sociais os figurinos chamam atenção pelo resultado final, nos bastidores a realidade envolve pesquisa, improviso e reaproveitamento de materiais. A maquiadora e cosmaker Amanda Marques, de 28 anos, conhecida artisticamente como Mandy Zuki, produz sozinha os próprios cosplays e transforma itens simples em personagens conhecidos do público geek.
O primeiro evento frequentado por ela foi o Anime Music, em 2013, quando interpretou Marceline, personagem da animação “Hora de Aventura”. Desde então, Amanda passou a criar novos projetos e intensificou a participação em concursos a partir de 2023. Entre os trabalhos mais recentes estão versões de Tony Tony Chopper, inspirada no live-action de “One Piece”, e Vecna, de Stranger Things.
Segundo a cosplayer, a produção dos figurinos exige adaptação financeira e reaproveitamento constante de materiais. “Eu sempre tento não gastar muito porque não tenho uma boa renda”, afirmou.
Ela explicou que itens como perucas, tecidos e roupas costumam representar os maiores custos na montagem dos personagens. Para economizar, Amanda procura peças em brechós, reaproveita materiais e produz os acessórios manualmente.
“Antigamente, eu ia até procurar coisas no lixo, como restos de couro para fazer peças”, relembrou.
Amanda também destacou que a diferença financeira entre participantes influencia diretamente na participação em concursos e viagens. “Existem níveis de classe dentro do cosplay. Tem gente que consegue viajar e investir muito, mas outras pessoas carregam tudo sozinhas de ônibus e passam horas no evento com o traje pesado”, disse.
Mesmo com as dificuldades, ela afirma seguir motivada pelo reconhecimento do público e pela possibilidade de transformar materiais simples em personagens completos. “As pessoas não acreditam quando eu digo que fiz tudo sozinha. Eu me sinto muito feliz quando vêm tirar fotos comigo nos eventos”, declarou.
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