Filme sobre Allan Kardec entra para o catálogo da Netflix

Superprodução brasileira estará disponível para Brasil e Portugal no serviço de streaming no dia 30 de agosto

Agência Estado e Redação Integrada

A Netflix anunciou nesta sexta-feira, 26, que adquiriu o longa com a biografia de Allan Kardec (1804-1869), lançado em maio deste ano. A produção brasileira estará disponível para os assinantes do serviço de streaming a partir do dia 30 de agosto, no Brasil e em Portugal. O longa tem roteiro assinado por Marcel Souto Maior e direção de Wagner de Assis, do longa "Nosso Lar", de 2010.

Em 16 de maio de 2018 -, Assis iniciou a filmagem do longa, em Paris. O quadro é a França de Napoleão III. "Havia uma forte interferência da Igreja na administração pública, portanto, é perfeitamente válido que um homem que, como professor, foi fundamental para o ensino médio francês, não permanecesse calado", afirmam ainda o cineasta e o escritor.

O próprio Souto Maior admite que, como escritor, seu maior desafio foi encontrar a voz de Kardec. "Pesquisei na Biblioteca Nacional da França, onde tive a sorte de encontrar os exemplares da Revista Espírita que Kardec editou por 11 anos. Ele se correspondia com seguidores da doutrina, e as cartas foram muito importantes porque nelas ele se surpreendia com as descobertas e não escondia a decepção pelos detratores e traidores. Dessa forma, foi possível chegar à sua essência humana".

Na França, Kardec foi perseguido e até ridicularizado após a morte. No Brasil, sua doutrina renasceu com Bezerra de Menezes e firmou-se com o verdadeiro fenômeno que foi Chico Xavier.

O importante é que o espectador não precisa ser espírita para assistir ao filme. Rivail/Allan Kardec era um estudioso que chegou ao mundo dos espíritos e dos médiuns movido pela curiosidade científica. Enfrentou descrença e todo tipo de resistência - de colegas cientistas, da Igreja, das instituições seculares.

O filme pode ser visto como um manifesto em defesa da liberdade - de expressão e investigação. Um manifesto em defesa da caridade. Numa França devastada pela miséria, Rivail/Kardec ousou defender a solidariedade com o próximo desvalido, outro ponto de contato com o Brasil atual.

"Não é sobre espiritismo, é sobre o pedagogo", adverte o diretor. No currículo, ele tem filmes como o citado "Nosso Lar" e "Menina Índigo", e também foi roteirista, na Globo, de novelas que abordavam o mundo do além. Apesar disso, Assis resiste aos rótulos. "Não existe essa coisa de gênero espírita. Se existisse, teríamos de colocar 'Ghost - Do Outro Lado da Vida', 'O Sexto Sentido' e 'Os Outros' (refere-se aos filmes de Jerry Zucker, M. Night Shyamalan e Alejandro Amenábar). Parece que só se fala disso no cinema brasileiro, mas para ser uma coisa pejorativa".

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