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Por Marco Antônio Moreira

Coluna assinada pelo presidente da Associação dos Críticos de Cinema do Pará (ACCPA), membro-fundador da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (ABRACCINE) e membro da Academia Paraense de Ciências (APC). Doutorando em Artes pelo PPGARTES/UFPA; Mestre em Artes pela UFPA. Professor de Cinema em várias instituições de ensino, coordenador-geral do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC), crítico de cinema e pesquisador.

Parabéns e obrigado, Hitchcock!

Marco Antonio Moreira

Se estivesse vivo, o extraordinário cineasta Alfred Hitchcock completaria 122 anos nesta semana. Ele nasceu no dia 13 de agosto de 1899 em Londres e iniciou sua carreira no cinema como designer de legendas de filmes silenciosos em 1919. Seu primeiro filme como diretor foi O Inquilino (1927), que já foi marcado pela sua preferência por histórias de suspense e assassinato. Depois de diversos filmes que chamaram atenção da crítica e público em seu país, Hitchcock foi convidado pelo produtor David O. Selznick para trabalhar em Hollywood e construiu uma brilhante carreira nos EUA, que começou com o excelente Rebecca, A Mulher Inesquecível (1940).

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Nas décadas seguintes, Hitchcock realizou diversos filmes que comprovaram sua evolução como artista em total harmonia com recursos de linguagem cinematográfica que ele soube utilizar de maneira especial em todas as suas produções. O “estilo Hitchcock” foi definido através de seus filmes e é resultado do seu modo de filmar, editar, utilizar a trilha musical, definir a movimentação e enquadramentos da câmera, escolher perfeitamente os atores e manter uma seleção rigorosa para a definição das histórias que seriam filmadas.

Nos anos 1950, a realização de diversas obras primas atraiu uma avaliação mais criteriosa de sua obra naquele período. Os críticos de cinema da revista Cahiers du Cinema, incluindo Jean-Luc Godard e François Truffaut, por exemplo, escreveram ótimos artigos que afirmavam que Hitchcock era muito mais do que um mestre do suspense, mas um mestre do cinema. Obras primas como A Sombra de uma Dúvida (1944), Festim Diabólico (1948), Pacto Sinistro (1951), Janela Indiscreta (1954), O Homem que sabia demais (1956), O Homem Errado (1956), Um Corpo que Cai (1957),  Intriga Internacional (1959), Psicose (1960), Os Pássaros (1962), entre outras, merecem destaque.

Hitchcock é um diretor tão especial que, quando você indica sua filmografia para as novas gerações de cinéfilos, é simplesmente impossível citar apenas um ou dois filmes. Mas, nessa data especial de aniversário, entendo que é importante evidenciar um lado menos badalado: o trabalho para a Televisão com a série Alfred Hitchcock Presents.

Em 1955, já consagrado pela sua carreira no cinema, Hitchcock concretizou o desafio de ter um programa de televisão com diversos episódios de crime e suspense que fizeram muito sucesso com grande audiência de público. Hitchcock teve sua imagem popularizada de maneira intensa, pois era o apresentador da série e em cada episódio aparecia de modo irônico, cômico e provocador ao introduzir o espectador à história que seria exibida naquela noite.

Alfred Hitchcock Presents foi exibida na televisão americana entre 1955 e 1962 nos canais CBS e NBC. No Brasil, a série foi exibida na Rede Tupi nos anos 70 e, posteriormente, no Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). Em 1985, a série foi remasterizada e colorizada e depois exibida novamente pela CBS e NBC. Entre 1963 e 1965, Hitchcock produziu outra série, chamada The Alfred Hitchcock Hour, com maior tempo de duração nos episódios.

Hitchcock declarou diversas vezes que gostou muito de trabalhar com a série Alfred Hitchcock Presents. Ele mesmo citava determinados episódios como alguns de seus melhores trabalhos como diretor. Como exemplo, cito o primeiro episódio da série AHP, chamado Vingança com Vera Miles (atriz que Hitchcock escolheu para um papel importante em O Homem Errado e, posteriormente, no filme Psicose) e Ralph Meeker. Este episódio foi ousado para a época ao mostrar a história de um marido que busca desesperadamente vingança após saber do estupro de sua esposa. O final é surpreendente e é uma excelente apresentação para o público sobre os temas das histórias que serão exibidas em outros episódios. Considero essa série uma das melhores produzidas para a televisão em um período fantástico em que diversos produtores, roteiristas e diretores tiveram oportunidades de trabalhar em formato diferenciado de produção e concepção artística.

Entendo que Alfred Hitchcock Presents e Twilight Zone – Além da Imaginação marcaram uma época de ouro da TV americana e merecem atenção e estudo dos atuais telespectadores. As temporadas de Alfred Hitchcock Presents foram lançadas em DVD no Brasil por diversas produtoras. A primeira temporada tem 8 DVDs que inclui 39 episódios e um documentário inédito sobre os bastidores da produção. Para qualquer amante do cinema, é importante conhecer este trabalho de Hitchcock, pois enriquece a leitura de sua obra como um artista extraordinário, que sempre priorizou a criatividade na sua concepção artística. No cinema e na televisão, foi um mestre das imagens que certamente servirá de inspiração para aqueles que gostam de cinema e TV.

Para conhecer a obra de Alfred Hitchcock, também indico o livro de entrevistas que François Truffaut produziu com ele nos anos 1960 e diversos documentários sobre sua carreira - como, por exemplo, O Homem por trás do Ídolo (2019) de Laurent Herbiet, que evidencia a importância de Alma Reville, esposa de Hitchcock, no seu trabalho. Parabéns e obrigado, mestre Alfred Hitchcock!

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