Belém do "já teve" deixa saudades de lugares que já fecharam as portas

Antigos "points" da cena noturna da capital paraense marcaram a memória dos paraenses

Redação Integrada ORM com informações de Bruna Lima

Belém já teve African Bar, Pororoca, Lapinha, Lobos Bar, Fiteiro. Quem não tem uma história para contar nesses lugares? Recordar esses velhos "points" é fazer uma avaliação do que representa a cena noturna da cidade, onde os lugares abrem, deixam marcas e depois de um tempo fecham as portas. 

O anúncio do encerramento das atividades do Ziggy Hostel Club, na última segunda-feira (24), faz vir a tona o funcionamento do movimento da cena noturna de Belém. Nas redes sociais várias pessoas se pronunciaram lamentando o fechamento do espaço. 

O momento é propício para recordar desses outros locais que marcaram nos últimos anos as baladas de Belém. A bancária Aída Neto que retornou para Belém em 2015, começou a vida noturna frequentando o Fiteiro, onde costumava ir às quintas-feiras. "Depois que voltei para Belém o Fiteiro foi um dos primeiros lugares onde retornei para a vida noturna da cidade. E lá as festas sempre foram boas. A gente sempre encontrava as mesmas pessoas. Foi um lugar onde amizades foram construídas", conta. 

Aída recorda do dia do show da banda Dirimbó, de Recife, que foi na companhia de amigos e ainda dançou com o seu Gogo, um senhor que se tornou personagem cobiçado pelo talento na pista de dança.

Hoje, o espaço do Fiteiro está em obras para a construção de mais uma farmácia em Belém.  

O Afrincan bar foi um dos locais mais badalados nos anos 90, onde foi palco de artistas de diferentes gêneros da música. Bandas de reggae, pagode, forró, rock e entre outras bandas da cena alternativa da cidade. Por muito tempo o espaço tomou conta das agendas dos finais de semana.

Depois do African, outras casas de shows funcionaram no mesmo local, mas atualmente está abandonado e sem programação. A médica Danielle Campos lembra dos tempos em que dizia para a mãe que ia dormir na casa da amiga e de lá elas seguiam juntas para o African.

"Era muito bacana, eu sempre ia com as minhas amigas escondida, pois minha mãe não deixava eu ir pra festa. Até hoje a minha mãe não sabe", relembra a médica com risos.

E para os que costumam dar a "saideira" vão lembrar do Lobos Bar, que ficava localizado no bairro da Cidade Velha. De início, era situado em um local menor, mas depois de um tempo migrou para próximo ao Polo Joalheiro e reunia amantes do rock até o sol nascer.

Rafael Santos, 36, lembra do local com nostalgia, pois ele diz que em meados de 2005 passou a frequentar o Lobos Bar pelo gosto musical. "Lá era um bar que só tocava rock e tinha todo um clima para o estilo musical. Além de escutar as músicas o barato também era ficar vendo os clipes. No final da madrugada que o bar lotava e ia até de manhã", disse Rafael.

A produtora cultura Sônia Ferro faz uma avaliação sobre o cenário de Belém. Ela diz que o que percebe é que realmente Belém tem esse cenário cíclico, onde as pessoas frequentam os locais por temporadas. Mas além disso, ela também toca em outro assunto que é o valor que as pessoas dão à cultura.

"Quem trabalha com o entretenimento nota bem que tem uma parte do público que não quer pagar para usufruir da cultura", avalia Sônia Ferro.

Uma avaliação positiva que ela faz é no trabalho em parceria entre produtores e proprietários das casas de shows, como forma de divisão de lucros e custos.

"Estou bem triste com esse cenário de locais bacanas sendo transformados em farmácias ou tendo que fechar por inviabilidade. Bem triste", lamenta a produtora.

E você, que espaço lhe deixou saudade?

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