Justiça proíbe carreata de empresários planejada para começar a semana

Deputado do Amazonas desafia empresários a se mobilizarem de mãos dados e abraçados.

Fabiane Morais de Manaus para a AMZ

Com 111 casos de coronavírus (Covid-19) registrados no Amazonas e uma morte confirmada, o Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (Tjam) concedeu liminar, na tarde deste sábado (28), que proíbe a realização de nova carreata de empresários, agendada para a próxima segunda-feira (30), em favor do retorno das atividades comerciais. 

A intenção do judiciário é conter a disseminação do coronavírus, por conta da aglomeração de  muitas pessoas. Tribunais de outros estados do Brasil,  como Maranhão e Rio de Janeiro, também já suspenderam esses atos.

O anúncio da mobilização gerou polêmica nas redes sociais e motivou o deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM) a desafiar que a classe empresarial se mobilizasse de mãos dadas, abraçados e com a presença de idosos. 

No post, o parlamentar diz: “Medo do vírus? O mais trágico é que defendem isso, mas estão todos confinados protegendo a si e as suas famílias...Protesto sério contra o isolamento era sair de mãos dadas, abraçados, principalmente os idosos, que estão entre esses. Aí eu botaria fé”.

Na sexta-feira (27), uma carreata comandada pelo superintendente da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), coronel Alfredo Menezes, homem de confiança do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), mobilizou empreendedores e motoristas de aplicativos a se reunirem em favor da economia local. Cerca de 600 veículos participaram do ato ao longo da rua coronel Teixeira, no bairro da Ponta-Negra, zona Oeste de Manaus, que seguiu até o bairro Parque Dez, na zona Centro-Sul de Manaus. Na ocasião, participantes divulgaram vídeos em que o próprio presidente Jair Bolsonaro, acompanhava o ato, por meio de vídeochamada, do celular do coronel Menezes. 

O posicionamento do parlamentar dividiu opiniões na internet, mas ganhou força da classe empresarial, após o governo federal anunciar campanha de que “O Brasil não pode parar”. Na sexta-feira (27), por exemplo, as ruas de Manaus apresentaram maior fluxo de veículos e pôde se observar em áreas como Centro, que houve aumento no número de pessoas nas ruas. Além disso, lanchas que fazem transporte de pessoas, retornaram às atividades, mas recuam do serviço, quando são abordadas por fiscais fluviais. 

No Instagram, também é possível ver que alguns estabelecimentos, fora do eixo de serviços essenciais, já anunciam o retorno de seus serviços. No entanto, afirmam que estão tomando todas as precauções.

Para o empresário Fred Melo, que participou da carreata de sexta-feira, a questão não é sair ou não de casa para trabalhar e, sim, de ter a certeza de que “a conta não vai fechar” se o empresário não produzir, não pagar e não receber. “Não é uma decisão para contrariar, mas para validar que o empresário precisa manter seus compromissos e fazer a economia se movimentar com o pagamento dos serviços de água, telefone, energia elétrica, fornecedores e colaboradores. Eu quero que me digam a fórmula mágica que eu não tenho. Até mesmo o governador, Wilson Lima, anunciou que pode não haver recursos para o funcionalismo público, como nós teremos? Sair para ruas é uma necessidade de manter os negócios”, explicou o empresário. 

Ele reforça ainda que não existe intenção de cancelar este novo movimento, mesmo a justiça determinando que o presidente Bolsonaro está proibido de adotar medidas contra o isolamento. “Não creio (que suspenda), seguirá em frente salvo se o STF (Supremo Tribunal Federal) também pagar as nossas contas e o salário dos nossos funcionários”, concluiu.


Último balanço
Na tarde deste sábado (28), o governo do Estado do Amazonas e a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) anunciaram 111 casos de coronavírus confirmados, no Amazonas. Destes casos, 105 estão em Manaus, 2 em Parintins (sendo que um veio a óbito), 2 em Manacapuru, 1 em Boca do Acre e 1 em Santo Antônio do Içá. Hoje, há 121 casos em investigação. No momento, há 12 pacientes internados – dez na rede particular (três em UTI) e dois no hospital público Delphina Aziz (em UTI), fazendo tratamento à base de cloroquina, remédio utilizado no tratamento de malária, liberado pelo governo do Estado do Amazonas, para pesquisa.

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