Ex-padre que lotava basílica fala sobre relacionamento amoroso e filhos

Geffison Silva, que lotava a igreja em cerimônias grandiosas, abriu o coração para a Conexão AMZ. Pai de uma menina de 3 anos, ele falou sobe o relacionamento que manteve quando ainda era padre e da nova vida afastado do sacerdócio

Rita Soares | Conexão AMZ

Entre 2012 e 2016, falar em padre Geffison era falar de igreja lotada, cerimônias grandiosas e musicais. Naqueles anos, o jovem padre fazia uma pequena revolução na solene Basílica Santuário de Nazaré em Belém. As adorações comandadas por ele provocavam engarrafamentos na avenida Nazaré. Fiéis deixavam o trabalho mais cedo às quartas-feiras para não perder um minuto da pregação.

Geffison José Costa Silva nasceu em Igarapé-Açu. Ligado a grupos de jovens católicos, foi ordenado padre em 2011, com apenas 27 anos. Passou cerca de um ano em Bragança, nordeste do Pará, e logo chegou à Basílica, um dos principais templos católicos do Norte do País. Foi lá que se tornou uma espécie de celebridade. A carreira brilhante no clero, contudo, foi interrompida de forma melancólica. 

No dia 27 de janeiro de 2016, a Basílica anunciou em sua página no facebook que Geffisson havia sido afastado das funções ministeriais. O anúncio fez disparar uma rede de especulações.

O que teria acontecido de tão grave para que o padre fosse afastado? As versões eram as mais diversas, mas todas tinham algo em comum e envolviam um assunto tabu para a igreja: o envolvimento amoroso e sexual do padre com fiéis.

Três anos depois do tsunami que atingiu sua vida e da Igreja Católica, Geffisson bateu um papo com a jornalista Rita Soares. Falou sobre a filha de três anos, fruto do relacionamento que, confessa, manteve quando ainda era padre, fala da nova relação com a igreja e dos novos rumos na vida profissional. 

Hoje, ele sobrevive ministrando palestras motivacionais. Se autodenomina um coach espiritual, mas garante que seus cursos atraem não apenas católicos, mas também evangélicos e ateus.

Confira os principais pontos da entrevista

 

A vida como coach

Você se autodenomina um coach espiritual. O que quer dizer exatamente isso?

Eu tive contato com esse mundo do coach no ano passado. Fiz um curso e fiquei muito encantado com as ferramentas que eles oferecem para elevação de performance. Com a minha experiência da espiritualidade da vida religiosa, eu agreguei o coach a essa especificidade, no que diz respeito à religiosidade, à espiritualidade humana. Eu entendo que o humano e espiritual devem caminhar juntos.

É só para católicos...

Não. Eu atendo pessoas que não são católicas. Trabalho com palestras nas empresas. Faço uma vez a cada dois meses com um grupo de pessoas que me ajudam aqui em Belém e atendo pessoalmente, que é o Personal Life. Há pessoas que inclusive, nem acreditam em Deus.

A pessoa chega lá sem acreditar em Deus e sai acreditando?

Na verdade, a palavra espiritualidade é muito maior que a religião. Espiritualidade todo mundo tem, inclusive o ateu. Espiritualidade é o modo de entender uma realidade precedente, uma realidade superior. E a pessoa que não crê, quando vai para essa palestra, acaba descobrindo elementos nessa direção

A nova relação com a Igreja Católica

Qual é a sua relação hoje com a Igreja Católica?

Eu tenho uma vida cristã, católica. Vou às missas, me confesso, comungo como qualquer outro fiel.

Você se arrepende de alguma coisa que ele tenha feito?

Não me arrependo porque a gente precisa melhorar muitas coisas dentro de nós. Todo esse processo doloroso, sofrido, experimentado por conta de escolhas que eu fiz serviu para uma autoanálise uma autorreflexão como pessoa.

O que você acha do celibato. Ainda é uma necessidade ou a igreja deveria rever?

Eu acredito muito no discernimento da Igreja. Ela tem autoridade e discernimento necessário. Se a igreja entendeu que tem que servir dessa forma o sacerdócio, eu acredito que ela tem muito discernimento para isso.

A quebra do celibato

Você quebrou o celibato?

Se a gente for olhar o celibato como o não casamento, eu não infringi essa regra.

Para os leigos, o celibato inclui não ter relações sexuais...

Isso não é necessariamente ser celibatário ou não. Celibato é não assumir o compromisso do sacramento matrimonial.

Mas você teve relações sexuais enquanto era padre?

Na verdade isso é muito mais profundo. O essencial, é que eu tive que fazer uma escolha e baseado nessa escolha, eu tive que renunciar aos ministérios sacerdotais.

Você se apaixonou?

A palavra paixão, eu acho que... Eu tenho um conceito bem próprio de paixão. Eu acho que paixão é algo muito efêmero, eu nunca vivi as coisas na minha vida de forma muito efêmera.

Você amou, digamos assim?

Também amor para mim é uma palavra muito poética. Eu acredito que eu tive um momento de autoanálise, de reflexão sobre os meus ideias, sobre os meus objetivos de vida, os meus anseios de vida.

Você está mais feliz hoje do que quando era padre?

Eu estou com paz de espírito. Paz espiritual, paz interior. Que hoje eu acredito é a coisa mais importante que o ser humano precisa ter.

Você e quer casar, ter filhos?

No momento não. No momento eu estou mais dedicado a essa minha parte profissional. Estou me estruturando nesse sentido

O senhor está namorando?

Também não.

Filhos

O senhor teve filhos?

Tenho uma filha. Não os sete, oito, nove sei lá quantos foi divulgado. Assumi a minha responsabilidade e quando eu falo de assumir a responsabilidade é nisso. E hoje eu estou vivendo tendo que cumprir essa responsabilidade, mas afetivamente eu estou muito bem organizado, muito bem estruturado, eu estou focado mais na minha parte profissional.

Você se considera pai presente?

Graças a Deus, hoje sim. Porque eu consigo organizar melhor a minha vida. Hoje apesar de não morar em Belém, eu consigo sempre que venho aqui me organizar para assumir essas responsabilidades.

Conexão AMZ
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