Eu sobrevivi às forças de segurança

A Conexão AMZ ouviu o relato do paraense que teve o carro metralhado por policiais militares e agentes da Polícia Rodoviária Federal e até hoje convive com o trauma

Anna Peres| Conexão AMZ

"O medo ronda nosso cotidiano, temos medo de sair à noite e quando escutamos sirenes ou vemos carros da polícia ainda ficamos aflitos". Essa é a primeira resposta de Ricardo Bezerra quando pergunto o que mudou na vida dele e da família após seu carro ser metralhado por policiais militares e agentes da Polícia Rodoviária Federal, em 2016, em uma das principais rodovias do Pará. 

Mas não é o único. Ricardo, hoje, abaixa os vidros do carro assim que percebe uma blitz à sua frente. A filha, que hoje tem dois anos e na época estava na barriga da mãe, tem crises nervosas quando ouve barulhos de fogos de artifício. "Não sei se está relacionado com o fato, mas acredito que sim", diz.

Em novembro de 2016, Ricardo, a esposa grávida de oito meses, e a mãe dele seguiam para um retiro espiritual fora de Belém. Já na estrada, a movimentadíssima BR 316, principal via para quem entra ou saí da capital, ele foi abordado por PM's e PRF's. Mas antes mesmo que pudesse encostar o veículo ouviu a primeira rajada de tiros estilhaçando os vidros do carro. "Segundo relatos dos policiais, havia um carro com a mesma cor e com as mesmas iniciais da placa do nosso fazendo um assalto. Mas para mim, o que houve foi um despreparo total, falta de treinamento dos policias."

O caso de Ricardo, infelizmente, não é isolado e continua se repetindo Brasil à fora. Vide o caso do músico Evaldo Rosa, no Rio de Janeiro, que morreu depois que o carro em que estava com a família foi alvejado 80 vezes durante uma abordagem desastrosa do Exército Brasileiro.

A repercussão desse caso, é claro, trouxe de volta para a família de Ricardo o sentimento de angustia, mas também de gratidão por ainda estarem vivos. "A nossa fé aumenta, mas é claro que seguimos em vigília".

A tristeza reside em acreditar pouco em mudanças, diante do cenário atual.

Ouça o que ele diz sobre violência policial no Brasil.

Conexão AMZ
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