Entenda porque só a polícia não resolve o problema da violência

Conheça as cidades mundo afora que venceram a violência unindo ações de cidadania e repressão. E saiba como vão funcionar os Territórios pela Paz, a grande aposta do Governo do Pará para frear a violência na Região Metropolitana de Belém

Equipe | Conexão AMZ

É possível reverter indicadores negativos crônicos de segurança em cidades muito violentas? A resposta é sim. É complexo, exige pesados investimentos e medidas integradas dos governos, mas é viável. E há casos bem-sucedidos aqui mesmo na América Latina. 

Apontada como a metrópole mais violenta do mundo nos anos 1990, Medellín, na Colômbia, é hoje um bom exemplo de como investimentos em segurança pública, mobilidade e assistência  social podem transformar a realidade local. A cidade equipou a polícia, investiu em inteligência, levou o transporte público a áreas mais remotas e ampliou a presença do Estado nas comunidades pobres.

Medellín saiu da lista de metrópole mais violenta do mundo ao investir em segurança, mobilidade urbana, inovação e assistência social (Rodrigo Vieira - Conexão AMZ)

O jornalista Rodrigo Vieira, da Conexão AMZ, visitou a cidade colombiana, em 2017, e mostra essa transformação.

Outra cidade que conseguiu reverter índices alarmantes de violência foi Ciudad Juárez, no México. Localizada na fronteira com os Estados Unidos, também vivia uma realidade selvagem, comum na Grande Belém e em muitas outras cidades brasileiras: moradores com medo de sair de casa, bairros controlados por facções criminosas e altos índices de homicídios. Hoje, com investimentos sociais, combate à corrupção policial e valorização dos agentes, Juárez deixou a lista das mais violentas do mundo e reduziu os índices de assassinatos.

Inspirações para a Região Metropolitana de Belém 

O modelo adotado tanto em Medellín quanto em Cidade Juárez é uma das inspirações para a criação do Territórios pela Paz, uma das principais promessas de campanha do governador Hélder Barbalho (MDB). O programa terá seu decreto de criação assinado nesta segunda (10), em Belém. Produto da articulação de pelo menos 27 órgãos estaduais - entre secretarias, fundações e institutos -, é a grande aposta do Governo do Pará para tentar frear a escalada da violência na Região Metropolitana da capital. E precisa dar certo.

Assim como nas outras cidades da América Latina que deram a volta por cima, as ações irão muito além de repressão policial. O projeto, que será apresentado pelo próprio governador, promete integrar ações de segurança, educação, esporte, lazer, cidadania e geração de renda. A própria ação da polícia deve ser revista. O desafio, aqui, é reduzir a letalidade das ações, sobretudo entre jovens, negros e populações socialmente vulneráveis, as maiores vítimas da repressão policial.

Um raio-x do Territórios pela Paz

Em Belém, o programa começa a ser implantado experimentalmente no bairro da Cabanagem. Na sequência, se estenderá por outros quatro bairros na capital, um em Ananindeua e outro em Marituba, num total de sete áreas. A primeira ação é de segurança. Serão deflagradas ações táticas, realizadas tanto pela Polícia Militar quanto pela Polícia Civil, a fim de garantir a segurança nos territórios e abrir caminho para a implantação da polícia de proximidade, um modelo que favorece a relação de confiança entre a polícia e a comunidade. A próxima etapa são as ações efetivas de inclusão social, que vão de linhas de crédito específicas para mulheres à construção de grandes complexos projetados para concentrar atividades de educação, cultura, esporte, lazer, saúde e serviços.

O que está previsto:

1 - Policiamento ostensivo com qualificação das ações de segurança, a chamada polícia de proximidade (policiais com relação com comunidade); 

2 - Linha de crédito exclusiva para mulheres empreendedoras que morem e atuem nos territórios; 

3 - Cinema nos bairros; 

4 - biblioteca itinerante.

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