Desmatamento e Morte no Xingu

Dois relatórios lançados neste mês revelam grave ameaça à vida no Xingu. Violência e desmatamento avançam deixando mortos e uma floresta devastada.

Rita Soares | Conexão AMZ

O massacre de presos em Altamira, sudoeste do Pará, atraiu, mais uma vez, os olhares do mundo para a região famosa por abrigar a maior usina hidrelétrica do País, mas também pelos conflitos agrários, violência urbana,  desmatamento e crimes ambientais.

As estatísticas são como um grito de socorro da região que viu a população quase dobrar na última década. Atraídos pelos empregos na construção da usina de Belo Monte, milhares de brasileiros migraram para o sudoeste do Pará.

 O último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado em 2010, apontava que Altamira tinha 99 mil habitantes. O IBGE estima hoje a população em 113 mil, mas especialistas ouvidos pela Conexão AMZ afirmam que esse número pode chegar a 150 mil. No auge das obras da usina, eram cerca de 200 mil.

O aumento populacional inchou os serviços públicos, aumentou a violência urbana e a pressão sobre a floresta em um dos mais belos e ricos ecossistemas do planeta: a  bacia do Xingu, uma área  de 51,5  milhões de hectares, que se espraia por 60  municípios nos Estados do Pará e Mato Grosso, passando por 31 Terras Indígenas e 21 Unidades de Conservação.

É nessa área com rios, belíssimas cachoeiras, floresta intacta e terras indígenas que está Altamira, justamente a cidade com a segunda maior taxa de homicídios do País. 
Os dados mais recentes foram divulgados nesta segunda-feira, 5, no Atlas da Violência e revelam que, no município paraense, o índice chega a 133,7 mortos a cada 100 mil habitantes. “O sudoeste paraense possui o município de Altamira com o maior índice do estado  que forma com outros municípios vizinhos um cluster de territórios com alta prevalência de violência letal, onde as taxas estimadas de homicídios situaram-se sempre acima de 56 homicídios estimados por 100.000 habitantes. Tal dinâmica resultou em parte da desorganização social, no rastro da construção da Usina de Belo Monte”,  aponta o Atlas elaborado pelo  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
O Ipea analisou os dados em 310 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes em 2017 e fez um recorte por região. 

Confira o relatório completo.
Atlas da violência retratos dos municípios Brasileiros    


#DESMATAMENTO
Outra estatística recente que também chama a atenção para a região é a de desmatamento. Em meio à crise que derrubou o diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Inpe, um relatório divulgado pelo Sistema de Indicação por Radar de Desmatamento na Bacia do Xingu (Sirad X), revelou que, entre maio e junho, foram desmatados mais de 39 mil hectares (quase 40 mil campos de futebol ou o equivalente ao município de Belo Horizonte).


O Sirad X é o sistema de monitoramento de desmatamento da Rede Xingu +, uma articulação de indígenas, ribeirinhos e seus parceiros que vivem ou atuam na bacia do Xingu. 
A diminuição das chuvas no período e a falta de fiscalização estariam entre as causas desse avanço. Na área que fica dentro do Pará, o desmatamento dobrou, passando de  10.611 hectares, em maio, para 21.462 em junho.

O mais preocupante é que, de todo o desmatamento ocorrido na parte paraense da bacia do Xingu, 56% foram detectados dentro de terras que deveriam ser protegidas: reservas indígenas e unidades de conservação.

Segundo o relatório, Altamira e São Félix do Xingu lideram o ranking dos municípios que mais desmataram em maio e junho, respondendo por 78% do total desmatado em toda a bacia no período analisado.

“Os recursos e o apoio institucional para fiscalização e operações de campo têm diminuído. O problema não é saber onde está o desmatamento, o problema continua sendo a falta de responsabilização dos infratores, que deixa o recado de que o crime compensa”, afirmou Ricardo Abad, em texto publicado no site do Instiuto Socioambiental da Amazônia (Isa), Site ISA, que faz parte da Rede Xingu +.

Confira o relatório completo.
Sistema de indicação por radar de desmatamento na bacia do xingu

Conexão AMZ
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