Como as fake news podem afetar sua saúde e de seus filhos

Movimento antivacina fez ressurgirem doenças como o sarampo. Pará e outros dois estados da Região Norte registram a maioria dos casos da doença

Anna Peres | Conexão AMZ

Com 79 casos de sarampo confirmados em 2018 e 25 já confirmados de janeiro até agora, o Pará aparece ao lado do Amazonas e de Roraima como estados que enfrentam um surto da doença, motivo pelo qual o Brasil deve perde o certificado internacional de área livre de sarampo, concedido em 2016 pela Organização Pan Americana de Saúde (OPAS/OMS).

Em entrevista ao Conexão AMZ, a coordenadora estadual de imunizações da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), Jaíra Ataíde, admitiu que a propagação de fake news sobre supostos efeitos colaterais das vacinas contribuiu para a redução da cobertura vacinal e, consequentemente, o reaparecimento da doença.    

“O poder das fake news é devastador. A forma como surgem e se espalham de forma tão rápida nos deixa perplexos. E o pior é que o contrário não acontece, com as campanhas sobre a importância da vacinação”, diz.

No final de 2017, se espalhou pela internet um boato de que a vacina contra o sarampo causaria autismo. Menos de um ano depois, em julho de 2018, o Brasil registrava quase 4 mil casos da doença e o sarampo, antes erradicado, passava a ser tratado como surto.

Deixar de vacinar os filhos é crime previsto do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Leia aqui

Campanha

Com o início da campanha de vacinação contra o H1N1, prevista para o próximo dia 10 de abril, a Sespa deve aproveitar para ampliar também a cobertura vacinal contra o sarampo. “As campanhas servem para atualizar o calendário vacinal, por isso são levadas também doses de outras vacinas, mas é importante que as pessoas levem o cartão de vacinação para que seja feita a atualização”, orienta a coordenadora de imunização.

Outra estratégia que deve ser adotada para tentar conter o surto de sarampo no estado é a implantação de salas de vacinação aos finais de semana, em locais de grande circulação de pessoas. “Nosso objetivo é promover a aproximação com a população que não tem como levar seus filhos para se vacinar durante a semana” explica Jaíra, que conta também com a mobilização da sociedade para combater notícias falsas sobre as vacinas. “Checar informações duvidosas é fundamental, não podemos desacreditar a importância da vacina. Isso salva vidas.”

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