Entenda como uma empreendedora transformou cachos em negócios

A Conexão AMZ ouviu histórias de mulheres que venceram o preconceito, assumiram os cachos e ainda empreenderam com um negócio super promissor.

Gabriel Pinheiro | Conexão AMZ

“Eram cachos de encher os olhos”, diz minha mãe, Edna, sobre o cabelo deste jornalista nos primeiros anos de vida. Logo, meu nome “Gabriel” ganhou um prefixo: “anjinho”. Mais pelo nome e pelo cabelo do que pelo comportamento. Com o passar dos anos eles foram se desfazendo e nunca mais voltaram. Escrevo esse parágrafo, bem atípico para o jornalismo tradicional, porque até lembrar este fato me sentia distante dessa pauta cheia de caracóis.

Gabriel bebê (Acervo Pessoal)

Mas o tempo não me permitiu experimentar as dores e as delícias que só quem tem esse tipo de cabelo conhece. Perdi os cachos. Aos 21 anos, a estudante de medicina Letícia Reis, conta que sempre teve cabelo cacheado, mas tão nova, a partir dos 12 anos começou um tratamento para tornar as madeixas mais lisas. “Eu fiz um tratamento pra deixar ele (o cabelo) mais liso. Não foi definitivo. Eu sempre quis ele muito liso, só que um tempo depois eu comecei a ver que ele estava caindo muito além de outros diversos malefícios que o alisamento tava trazendo e eu decidi deixar ele natural de novo”, conta. Foi o início da chamada transição capilar.

“Foi um processo muito ruim de transição porque o cabelo fica bastante feio, de diferentes formas. Até que decidi cortar bastante curto para, finalmente, voltar para o cabelo cacheado”.

“Gosto muito do meu cabelo, me sinto bem, é a minha identidade, não me vejo mais de cabelo liso”. (Acervo Pessoal)

A valorização à identidade do cabelo natural não acontece só por aqui. Não sei se você acompanhou, mas, no último mês de julho, o governo da Califórnia sancionou uma lei que proíbe a discriminação contra pessoas negras por usar penteados como tranças, torções e dreadlocks. É a primeira decisão deste tipo nos EUA e ela passa a valer a partir de 1º de janeiro do ano que vem. A legislação foi proposta pela senadora democrata Holly Mitchell, de Los Angeles, uma mulher negra que usa o cabelo em dreads. "Estamos mudando o curso da história, espero, em todo o país, ao reconhecer que o que tem sido definido como estilos e trajes profissionais no local de trabalho foi historicamente baseado em um modelo eurocêntrico — de cabelos lisos", declarou Mitchell.

Alguns milhares de quilômetros separam Belém do Pará da California. Mas por aqui também há histórias de bullying por conta de cabelos. E não é a força da lei que tem mudado o curso dessa história. Em Belém, como em todo o Brasil, a força vem de um novo comportamento que tem mudado a cena. O comportamento que não só aceita, como também se orgulha dos cachos e dos afros.

Quando procurou alguém pra cuidar de seus cachos e não encontrou ninguém, Nara Fernandes, 25 anos, descobriu uma oportunidade de negócio. Hoje, ela é dona de um salão de beleza especializado em cabelos cacheados em Belém. Veja aqui.

Em entrevista à AMZ, ela conta como tudo começou. “Nossa missão é causar a valorização do cabelo natural, dessa forma proporcionando um encontro com a nossa essência”, explica.

Assista ao vídeo e conheça um pouco mais da história do Realeza dos Cachos

Lígia Pantoja foi uma dessas pessoas que aprendeu a cuidar do cabelo depois de quase perdê-lo por inteiro com a quantidade de química a que foi submetido. Essa não foi a única crueldade por que passou. Em conversa com a Conexão AMZ, Lígia conta que, na infância, já disseram que varreriam o chão da escola com cabelo dela, porque era de “vassoura”.

Jornalista, Emília Jacob também passou pelo processo de transição capilar, antes disso, precisou buscar meios para conhecer e entender como seria o processo. "Sou negra e por anos não me reconhecia assim. Tentava me enquadrar num padrão que não era meu. Talvez por medo de aceitação e de críticas, mas hoje é diferente. Hoje, temos mulher cacheada no cinema, no telejornal, nas novelas como protagonista, nas propagandas de maquiagem e cosméticos. Isso é muito importante. Imprime verdade, empoderamento e a nossa identidade", afirma.

Jornalista, Emília Jacob (Acervo Pessoal)
Conexão AMZ
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