Aumento da expectativa de vida faz idosos se reinventarem aos 60 anos

De acordo com o IBGE, mais de 25% da população brasileira terá mais de 60 anos de idade até 2060. O que esses idosos vão fazer no futuro? Muitos deles estarão cursando uma faculdade ou iniciando uma nova carreira profissional

Anna Peres | Conexão AMZ


Seja iniciando um curso na faculdade, empreendendo para se tornar dono do próprio negócio ou iniciando uma nova carreira. Para muita gente a vida está começando, ou melhor, se reinventando ao chegar aos 60 anos. Foi o que aconteceu com Hamilton Apolinário, 61 anos, graduado em física e com pós-graduação em Análise de Sistemas e Administração de Empresas, ele atuou em grandes empresas até 2015, quando decidiu “aposentar” a velha carreira e iniciar um novo desafio pessoal e profissional: curar a Faculdade de Direito.

“Comecei a pensar no que fazer nessa fase, em que a gente começa a perder competitividade nas empresas”, contou ele, que recebeu nosso jornalista, Rodrigo Vieira, para um bate papo em seu apartamento em São Paulo. “Na minha família todos vivem mais de 80 anos. Então pensei, ainda tenho pelo menos mais uns 30 anos pela frente, não dá para ficar parado”, completou.

Lançado no início do ano, o livro “Reinventando-se após o 50 anos de Idade”, traz um levantamento feito pelo pesquisador Rafael D’Andrea, que analisou a transição de carreira feita por homens após os 50 e revelou que nem sempre essa “nova carreira” tem motivação econômica. Em muitos casos, com o aumento da expectativa de vida, surge a possibilidade de exercer uma vocação antiga que acabou ficando pelo caminhou ou até mesmo o medo de parecer desocupado ou obsoleto.

Vida longa

É possível que essa teoria seja cada vez mais percebida no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde, o país tinha a quinta maior população de idosos do mundo em 2016. E até 2030, o número de idosos deve ultrapassar o total de crianças entre zero e 14 anos. Já os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o número de idosos deve chegar a 25,5% da população brasileira até 2060.

Mas esse não é um fenômeno exclusivo da Brasil. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) o número de pessoas com idade superior a 60 anos chegará a 2 bilhões de pessoas até 2050. Isso representará um quinto da população mundial. 

Na Itália, no ano passado, a Sociedade Italiana de Gerontologia e Geriatria alterou o conceito de idoso, afirmando que uma pessoa só pode ser considerada idosa a partir dos 75 anos. No Brasil, a nível de comparação, isso ocorre a partir dos 60. Entre os italianos a expectativa de vida aumentou 20 anos desde 1900 e boa parte da população entre 60 e 75 anos está em ótima forma, livre de doenças e em condições de exercer algum tipo de atividade.

Também na Itália, um estudo desenvolvido pela Universidade de Florença, demonstrou que uma pessoa de 65 anos pode ter hoje a mesma condição física e cognitiva de uma pessoa de 45 anos. Apolinário, com quem conversamos lá no início da reportagem, também acredita nisso. “Essa questão de idade é muito mais um estereotipo que se criou do que um empecilho. Internamente eu não sinto idade, faço minha caminhada, corro de 6 km a 10 km, são coisas que eu consigo fazer”, disse.

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