A incrível história da professora que construiu uma biblioteca na Ilha do Combu

Vamos te levar ao coração do Combu para contar uma história inspiradora. O casal de professores que há anos investe o 13º salário para realizar o encanto da leitura com os moradores da ilha. Quem conduz a gente nessa viagem é o jornalista Gabriel Pinheiro.

Gabriel Pinheiro | Conexão AMZ

É sábado e faz sol. Os turistas estão inquietos aguardando a mágica experiência de entrar num barco e navegar pelas águas barrentas do Rio Pará e, navegando, entrecortarem a floresta. A viagem para a Ilha do Combu é curta. No entanto, cinco minutinhos costumam ser suficientes para esquecer a selva de pedra e se deparar com uma amostra generosa de Amazônia.

No barco em que estamos, ao menos metade das pessoas fazem parte da caravana da professora de Direito, de uma faculdade particular de Belém, Denise Adrião. Com ela, outros professores, alguns alunos e sacolas levando livros, materiais de estudo e apetrechos fundamentais para a arte de ensinar: a boa-vontade, a coragem e um belo sorriso.

Escondida pelas árvores centenárias (talvez milenares) que se ergueram na porção insular de Belém, está uma casa de dois andares em madeira, mas ainda incompleta, guardada pelos próprios ribeirinhos que esperavam a chegada da Professora Denise. É a “Salinha de Leitura Canto do Rio” Instagram @salinhadeleitura. A chegada da professora é com abraços e muito barulho. Isso porque, antes de abrir as gavetas e armários ou mexer nas estantes e subir ao segundo andar, é preciso fazer esquecer de vez o silêncio para espantar visitas indesejadas como possíveis cobras ou aranhas caranguejeiras que, vira e mexe, aparecem por ali para dar um “oi”.

#HISTÓRIA

O projeto foi criado, há uma década, pela professora Denise e pelo marido dela, quando passeavam de veleiro por aqui. 
 

A biblioteca é um projeto sem fins lucrativos, apoio institucional, partidário ou religioso e leva aos ribeirinhos, mensalmente, pelo menos três tipos de oficina. 

Nas oficinas de leitura, são disponibilizados livros e há roda de bate-papo sobre a obra lida. Na oficina do “fazer”, sempre é ensinada uma atividade manual: lettering, bordado, corte e costura, culinária, horta, cada dia uma atividade. Na oficina da “palavra”, é realizada uma conversa sobre um tema de necessidade e interesse: meio ambiente, Lei Maria da Penha, Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outros assuntos, já foram discutidos nessa atividade. Todas elas, sempre contam com ajuda de voluntários.

O escritor Luis Peixoto lê o “Jabuti Encantado” para crianças ribeirinhas da Ilha do Combu (Gabriel Pinheiro)

Quando perguntada sobre a manutenção do projeto, professora Denise responde: “Isso aqui é nosso dinheiro partilhado. Nosso décimo  terceiro, há dez anos, sempre é colocado aqui para, de algum modo, ir arrumando”, conta.

Quem vai como voluntário, não esquece. Pela quinta vez na Ilha, o escritor Luis Peixoto, autor de mais de dez obras infantis, leva seu ‘Jabuti Encantado’ para ler às crianças. “Todo mês,  a gente tira aquele dia dedicado às crianças. Pelo menos uma vez no mês, eu estou por aqui.”, conta.


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