A luta de Rafael para exercer sua identidade de gênero

Vamos te apresentar o estudante de artes visuais que está vencendo várias batalhas na luta para exercer sua identidade de gênero. A última foi uma decisão judicial que obriga seu plano de saúde a pagar pela mastectomia. Rafael nasceu num corpo feminino. Mas sempre se identificou como homem

Rita Soares | Conexão AMZ

Rafael Carmo Ramos, 26 anos, foi destaque na imprensa paraense  por uma conquista pouco comum: uma decisão liminar garantiu que ele tenha direito a uma mastectomia (cirurgia de retirada das mamas).

A cirurgia é um desejo antigo e faz parte do processo transexualizador (a expressão mudança de sexo não é correta) a que o artista visual vem se submetendo, oficialmente, há dois anos, mas cujas raízes estão lá na infância.

“Minha irmã é mais nova e, quando a gente brincava com meus primos e primas, eu sempre me identificava com o gênero masculino, mas esbarrava naquele conceito muito tradicional, conservador. Então, eu nunca pude vivenciar essa identidade, apesar de muito novo me identificar como menino. Sempre desejei ser igual a meu pai, mas vivi por mais de 20 anos com uma identidade que não era a minha para agradar a minha família”, contou Rafael em uma longa entrevista concedida à jornalista Rita Soares.

“Houve um momento em que perdi a vontade de sair de casa. Acabei desistindo da primeira faculdade por conta disso. Não conseguia ter convívio social”.

Foi vendo uma reportagem na TV sobre a vida de um menino trans que Rafael começou a entender o que se passava com ele.

“Percebi que eu sentia as mesmas coisas e não sabia explicar. Eu era um homem trans, mas não sabia como fazer a mudança. Nem imaginava que isso era possível”, contou.

Ainda comemorando a decisão judicial, ele lembrou que nem todo trans sente necessidade de fazer cirurgias, mas, para ele, tirar as mamas,  sempre foi um sonho.

 O problema é que, no meio do caminho, Rafael encontrou a resistência do plano de saúde onde é segurado, o Hapvida.

 A empresa alegava que, nesse caso, a mastectomia era estética e por isso não seria coberta.

Com a ajuda da Defensoria Pública do Pará, Rafael foi à Justiça e conseguiu que o plano pague pelo procedimento. "Não foi só uma conquista pessoal. Foi também coletiva para a população trans de um modo geral", disse.

Na entrevista concedida nesta quinta-feira, 18, Rafael contou detalhes da batalha judicial pela mastectomia, falou da expectativa pela cirurgia e explicou porque, para ele, o procedimento é tão importante.

Confira o vídeo.  

 

 #Entenda melhor:

Identidade de gênero é a forma como a pessoa se identifica. Quando o indivíduo se identifica com o gênero, socialmente relacionado ao sexo biológico, dizemos que ele ou ela é cisgênero.

Por exemplo: o menino que se identifica com o gênero masculino ou a menina que se identifica com as características do gênero feminino.

Alguns indivíduos, contudo, nascem com um sexo biológico que não coincide com a identidade de gênero esperada socialmente. E esses são o que chamamos de transgêneros. É o caso da Rafael que, embora, tenha nascido biologicamente, feminino, sempre teve identidade de gênero masculina. 

O processo transexualizador ajuda o indivíduo a se ver como realmente se sente, melhorando o convívio social, os relacionamentos afetivos e a autoestima. Para isso também serve o nome social que permite que pessoas registradas com nomes femininos ou masculinos possam fazer a troca. O processo, porém, é longo e exige acompanhamento médico e psicológico em todas as etapas.

Conexão AMZ
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