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TANTO TUPIASSU

Por Fernando Gurjão

Fernando Gurjão Sampaio, ou Tanto Tupiassu, é advogado e escritor de Belém. Tem um livro publicado, Ladir Vai ao Parque e Outras Histórias, ganhador do concurso literário da Fundação Cultural do Pará na categoria Contos em 2016. Escreve neste espaço sobre atualidades, regionalismo, reflexões, história e paternidade. | tantotupiassu@gmail.com

Fomos ao Circo

Tanto Tupiassu

Incrível como algo tão presente em nossas vidas acaba sendo, também, algo distante e misterioso. 

Contando na estante de meus filhos, talvez seja uma dezena de livros que descrevem a alegria dos palhaços, o ilusionismo dos mágicos e a leveza de malabaristas e acrobatas. Há alguns, os mais antigos, onde ainda é possível ver desenhos de elefantes, tigres e ursos, executando truques mirabolantes no picadeiro. 

Apesar da presença literária, fomos ao circo e foi a 1ª vez que os mais novos puderam sentar e observar, boca aberta, os movimentos diversos que se desenhavam diante deles. 

Quando era criança, lembro bem, era constante a presença de circos na cidade. Muitos eram tão pequenos e mal talhados, repletos de animais magros e esfomeados, com lonas mal ajambradas, que mais causavam pena em seu parco público. 

Os animais, aos poucos caíram em desuso, principalmente depois que quatro leões devoraram vivo um menino de seis anos que comemorava seu aniversário. A desgraça, ocorrida em Jaboatão dos Guararapes, PE, em 2000, fez surgir diversas iniciativas que buscaram banir animais em circo – o que nunca ocorreu em âmbito nacional. Alguns estados têm legislação que proíbe a manutenção e exploração de animais, mas é só. 

Com as mudanças todas que se operaram, hoje vemos um espetáculo que explorar ao máximo a capacidade humana. 

São homens e mulheres que, no máximo de força, no limiar das capacidades, conseguem feitos extraordinários. Um super forte que, somente na potência dos braços, faz pilha com sete, oito cadeiras, tudo meio torto como a torre italiana. Outro, que também com as mãos, sobe e desce de uma corda como se fosse simples brincadeira sem perigo. 

Após tantas alterações, ver o circo lotado de crianças e adultos ainda capazes de se encantar pelas artes é extraordinário, todos calados diante da magia de um circo de verdade, não o circo político em que vivemos, comparação que faço correndo o risco de ofender gravemente os circenses. 

Nestes dias em que talvez sejamos palhaços inertes diante de atitudes juvenis e irresponsáveis de quem devia ser líder, somente falando de amenidades sou capaz de seguir em mínima atitude de manter a cabeça erguida, buscando esperança no horizonte. 

O país virou um circo de espetáculos terrivelmente tristes. Aqui fora não há crianças que olham maravilhadas para os artistas. Há somente descrença diante de tudo piorar e se desrespeitar, em clara tentativa do ilusionista-mor, que a tudo destrói com seus truques mal executados, de qualquer coisa que somente se localiza fora da democracia.

Palavras-chave

Tanto Tupiassu
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