RODOLFO MARQUES

RODOLFO MARQUES

Rodolfo Silva Marques é professor de Graduação (UNAMA e FEAPA) e de Pós-Graduação Lato Sensu (UNAMA), doutor em Ciência Política (UFRGS), mestre em Ciência Política (UFPA), MBA em Marketing (FGV) e servidor público.

Governo Federal passa por minirreforma ministerial para tentar deter instabilidade política

Rodolfo Marques

O Brasil continua em um cenário de instabilidade política enquanto permanece mergulhado na maior crise sanitária de sua História – a pandemia de Covid-19. Após várias pressões internas e desajustes na comunicação com sua equipe, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) promoveu uma reforma ministerial em praticamente 25% dos nomes, tentando reaglutinar apoios entre si e evitar um crescimento da oposição, hoje personificada na figura do ex-presidente Lula (PT).

No ministério da Defesa, entrou o general Braga Netto no lugar do general Fernando Azevedo e Silva. Este já vinha entrando em rota de colisão com o presidente da República e Bolsonaro deslocou para a vaga um nome muito mais alinhado com ele (Braga Netto). O espaço deixado na Casa Civil foi ocupado pelo general Luiz Eduardo Ramos, que era o titular da Secretaria de Governo da Presidência da República. Esta pasta passou a ser chefiada pela deputada federal Flávia Arruda (PL-DF), que já foi presidente da Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.

No Itamaraty, o muito desgastado e criticado pela administração pífia (compra das vacinas, negociações sobre o 5G, apequenamento do Brasil nos diálogos externos e alinhamento automático e sem contrapartida aos Estados Unidos de Donald Trump), Ernesto Araújo, deixou o cargo para Carlos Alberto França. A pasta de Justiça e Segurança Pública, então comandada por André Mendonça, passou para a tutela do delegado federal e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, Anderson Torres. André Mendonça seguiu para a Advocacia-Geral da União, substituindo José Levi Júnior.

Essas alterações no primeiro escalão do governo ilustram a instabilidade gerada pelo presidente da República no campo das relações políticas e também pelo gerenciamento ineficaz da pandemia no país. O Centrão, liderado pelo presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), ganha ainda mais espaço no governo e margem para negociações.

Ato contínuo à troca no Ministério da Defesa, os três comandantes militares – Marinha, Exército e Aeronáutica – se mobilizaram para deixar os respectivos cargos e já foram substituídos. Ainda nesse contexto, aliás, a chegada do general Braga Netto à Defesa gerou um desconforto junto à cúpula militar, exatamente por uma postura muito próxima a Bolsonaro, politizando uma área que, em tese, deveria ter conotação mais técnica.

Causaram espécie, aliás, em um espectro mais amplo, as declarações do novo ministro da Defesa em relação à data de 31 de março de 1964 – dia do golpe de estado que fez o Brasil fica sob o período autoritário militar por 21 anos. O general falou que o momento histórico deveria ser compreendido e celebrado, por uma suposta “pacificação do país”, à época. O que se viu, na prática, em 1964, foi um ato antidemocrático, com supressão progressiva das liberdades individuais no país. Nesse mesmo cenário, seis presidenciáveis (Ciro Gomes/PDT, João Dória Júnior/PSDB, Eduardo Leite/PSDB, Luiz Henrique Mandetta/DEM, João Amoêdo/Novo e Luciano Huck/sem partido) assinaram um texto chamado “Manifesto pela Consciência Democrática”, criticando o autoritarismo e enfatizando a necessidade da liberdade.

Destarte, o Brasil vive um momento histórico extremamente crítico, marcado pela inoperância da atual gestão nacional em praticamente todos os segmentos e por um debate antecipado a respeito das eleições presidenciais de 2020. As demandas do país pelo enfrentamento da pandemia, pela compra de vacinas e por um maior suporte a grupos socialmente vulneráveis são urgentes – e precisam ser “abraçadas”, efetivamente, pelo governo federal.

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