Océlio de Jesus C. Morais

Pós-doutor em Direitos Humanos e Democracia pela IGC da Faculdade de Direito Coimbra, doutor em Direito (PUC/SP) e mestre em Direito Constitucional (UFPA); presidente da Academia Brasileira de Direito da Seguridade Social (ABDSS), escritor, poeta e cronista.

Somos todos aprendizes do tempo

Das virtudes cardeais de que tanto precisamos

Océlio de Morais

Estive afastado da coluna por motivos de saúde. Retorno com as bênçãos de Deus, o Senhor da vida e de todas as coisas sobre todas as coisas. A saúde e a doença resumem a antítese humana. Nas duas condições temporais, as pessoas vão escrevendo as suas histórias com virtudes e desvirtudes. Muitas marcam suas existências com valores que se expandem positivamente e as tornam sempre lembradas como bons exemplos humanitários; outras, nem tanto, porque por alguma razão descuidaram das virtudes teologais (Fé em Deus, Esperança e Caridade), virtudes que, com as virtudes cardeais (Prudência, Justiça, Coragem e Temperança) compõem o grande feixe das virtudes humanas em todos os tempos.

Essas virtudes estão no dia-a-dia para serem identificadas pelas pessoas e nas pessoas. Elas dão sentido à existência. Mas nem sempre são observadas ou praticadas. Somos todos compromissados com muitas tarefas cotidianas, condição que, em termos gerais, torna a pessoa bem mais materialista - às vezes como necessidade de sobrevivência, às vezes como alpinismo às diversas formas de poder socioeconômico ou sócio-político.

Com saúde, as pessoas se envolvem com as tarefas cotidianas, também por necessidade de sobrevivência humana. Mas esse envolvimento cotidiano, muitas vezes, não permite que que as pessoas percebam com clareza ou coloquem como prioridade de vida os valores do humanismo (solidariedade espontânea, caridade e fraternidade|), cujas raízes ontológicas estão nas virtudes cardeais e nas virtudes teologais.

O materialismo exacerbado leva à mortificação das virtudes teologais, à medida que a pessoa perde a referência dela mesma, tornando-se cética quanto aos valores do humanismo (solidariedade espontânea, caridade e fraternidade|), De outro lado, o adoecimento (ou calamidades ou pandemias) colocam as pessoas diante das fragilidades humanas. O adoecimento, a perda de um ente querido ou um amigo - por uma certa medida ou de algum modo - tornam as pessoas mais reflexivas sobre a condição humana e sobre o relacionamento com outras pessoas. Nessa condição, estão mais propensas às reflexões sobre as virtudes teologais.

A dependência de terceiros (que cuidam com profissionalismo e paciência, apesar dos riscos aos quais se expõem) mostra que ninguém (na saúde, na riqueza ou na pobreza) pode ser egocêntrico, nem mesquinho: sempre será preciso não perder o sentido da solidariedade espontânea, pois essa gera mais caridade, dimensionando a vida ao patamar da espiritualidade.

A incapacidade momentânea (ou permanente) no adoecimento à realização das tarefas que eram tão naturais, mostra que a vida ganha mais sentido com gestos de caridade e solidariedade daqueles que cuidam. Isso fortalece os laços da fraternidade - laços que potencializam o sentimento humanitário em cada pessoa.

Por certo que o adoecimento ou calamidades não são condições para ver ou sentir essas coisas; mas, como uma condição humana, em torno delas sempre aflora com maior evidência o sentido de humanidade nas pessoas. Numa e noutra condição, somos aprendizes do tempo. O ontem passou para cada pessoa com uma marca própria de aprendizado.

As páginas da vida, do hoje e do amanhã, têm o desafio de serem escritas com mais, maior e melhor humanismo por cada um de nós, independentemente das vicissitudes da vida.

___________ Psot Scriptum: Nos termos da Lei 9.610, de 1998, permito a utilização do artigo para fins exclusivamente acadêmicos, desde que sejam citados corretamente o autor e a fonte originária de publicação, sob pena de responsabilização legal.

Océlio de Morais
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