Océlio de Jesus C. Morais

Pós-doutor em Direitos Humanos e Democracia pela IGC da Faculdade de Direito Coimbra, doutor em Direito (PUC/SP) e mestre em Direito Constitucional (UFPA); presidente da Academia Brasileira de Direito da Seguridade Social (ABDSS), escritor, poeta e cronista.

Os seis Papas de minha vida

Océlio de Morais

A gente nem se dá conta, mas os nossos valores vão sendo formados conforme as leis e costumes civis, de acordo com as leis e dogmas católicos de cada época.

Isso pode significar muito, para o bem ou para o mal, na formação da personalidade do indivíduo e a sua respectiva inserção social.

Essa crônica histórica é um pouco da mistura das  influências  das sucessivas doutrinas teologais da Igreja Católica na minha condição humana.

Vou começar assim: quando Deus abriu uma janela no universo e permitiu que minh´alma fizesse a viagem à terra, João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli) era o Papa da Igreja Católica Apostólica Romana – o Papa que revolucionou a teologia católica a partir dos resultados do Concílio Vaticano II, notadamente na eclesiologia e na pastoral, realizado no período de dezembro de 191 a outubro de 1962, na Cidade do Vaticano (Roma).

Do Concílio Vaticano II para cá, de algum modo, 6 papas já passaram pela minha vida: João XXIII, Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e, agora, o Papa Francisco, a quem o adjetivo de Papa simplicidade.

Nada sabia exatamente, mas quando fui batizado na igreja matriz de São Francisco de Assis (Monte Alegre, Pará) num dos dias durante as festividades do padroeiro no mês de outubro, o rito batismal (é assim que consta no Art. 3º e no Cânon II da primeira versão do Código Canônico de 1917-1918), era um legado da doutrina católica nos pontificados de Bento XV (Giacomo Paolo Giovanni), que sucedeu ao Papa Pio X (Giuseppe Melchiorre Sarto), este, o papa que deu nome ao Seminário São Pio X, em Santarém do Pará, onde fui seminarista em regime interno com vistas ao sacerdócio.

Adolescente, quando ingressei no seminário no ano de 1976, Paulo VI (Giovanni Battista Enrico) era o Papa, o pontífice que retomou o Concílio II, interpretou e aplicou as decisões daquele importante à vida da Igreja Católica Apostólica Romana, quanto às novas eclesiologias e a pastorais - doutrinas iniciadas no pontificado de João XXIII (Angelo Giuseppe Roncalli, o “Papa Bom” (tamanha era a caridade dele), o que deu início, a partir de 1961 à mudança total dos ritos de celebração na Igreja Católica.

O Papa João Paulo I (Albino Luciani) – que contagiou o mundo pelo sorriso permanente, por isso ganhou o carinhoso apelido de “Papa Sorriso” – teve uma passagem fugaz pela minha vida, devido à sua morte prematura.

Pontificou por apenas 33 dias a partir de agosto de 1978. E assim, pouco influenciou na minha visão católica, muito embora no período de seu pontificado, o ensino religioso no Colégio Dom Amando (em Santarém) era uma das prioridades à formação aos adolescentes e jovens daquela época: havia especial atenção à nova teologia eclesial, a teologia do maior do acolhimento laico nas tarefas missionárias da igreja, herança do Concílio Vaticano II.

Ah!, mas foi com os resultados teológicos da conferência de Puebla (cidade do México, em 1979) – essa conferência havia sido convocada por Paulo VI com o tema “Evangelização no presente e no futuro da América Latina” – que o Papa João Paulo II (o polonês Karol Józef Wojtyła, o João de Deus) teve uma presença mais significativa à minha vida: ele foi um dos maiores e mais influentes líderes do seu tempo, por suas ideias teológicas contra o comunismo ditatorial, especialmente na Polônia.

Já estudante de teologia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que funcionava no Instituto de Pastoral Regional (um prédio anexo ao palácio episcopal na Cidade Velha), os resultados da conferência de Puebla influenciaram minha visão social.

Isso ocorreu a partir do fenômeno teológico que dominou a América Latina a partir de então: a teologia da libertação, nome dado pela ala progressista da Igreja Católica para a opção preferencial pelos pobres, um dos principais resultados teológicos daquela conferência.

Leonardo e Clodovis Boff eram as referências brasileiras na explicação e defesa dos preceitos da Teologia da Libertação. No curso de teologia, eles eram professores convidados especiais.

Acusado de “pôr em perigo a sã doutrina da fé,” e de defender conceitos incompatíveis com a doutrina da Igreja Católica, Leonardo Boff certamente não imaginava o destino que lhe aguardava, fruto de sua opção evangélica: em 1985, sofreu uma pena eclesiástica imposta pela Congregação da Doutrina da Fé da Santa Sé, processo presidido então dirigida pelo Cardeal Joseph Aloisius Ratzinger. A pena consistiu na imposição de um ano de "silêncio obsequioso" e na perda do direito à cátedra e às atribuições editoriais na Igreja Católica.

O cardeal Ratzing mais tarde, (19 de abril de 2005) fora eleito Papa (o Papa Bento XVI), cuja doutrina teológica é tida como ortodoxa e conservadora, isso na visão vaticanista. Ele renunciou em 28 de fevereiro de 2013, quando então foi eleito o Cardeal Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco “simplicidade”

Como primeiro papa da América Latina, a doutrina teológica do Papa Francisco discute problemas da efetividade da justiça social, mas rejeita a teologia da libertação porque nela identifica fundamentos marxistas; condena abusos sexuais no âmbito da Igreja e chega a cogitar na possibilidade de ordenação sacerdotal  de homens casados  á Amazônia.

De meu batismo aos dias atuais – como sacramento o batismo na teologia católica representa o ingresso do não-católico ao catolicismo e a crisma é o sacramento da confirmação na fé e doutrina cristãs – os valores teologais dos seis Papas de minha vida influenciaram significativamente o que hoje sou, a partir das leis e dogmas católicos de cada época; a partir das leis e valores de meu país.

Cada uma, à medida de sua época, um pouco de cada uma dessas doutrinas foram construindo, reflexão por reflexão, os meus princípios cristãos teologais.

As doutrinas de João Paulo II – o Santo Papa João II desde a canonização a 27 de abril de 2014  pelo Papa Francisco – têm minhas preferências da vida amadurecida, mas agora temperada pelo pensamento teológico do Papa Francisco.

Tenho uma admiração muito especial Papa Francisco. Por isso quero encerrar essa crônica histórica com uma Ode ao Papa da simplicidade.

“Papa Francisco, emocionais minh´alma.”

“Aumentai minha fé na esperança da fraternidade real, entre os homens e mulheres, porque dócil é vossa simplicidade, porque magnânima é vossa humildade porque sublime e virtuoso é vosso exemplo de vida.

Papa irmão Francisco, bendito então seja o dia em que nascestes, pois o mundo recebeu uma luz para fraternizar mais a humanidade;

Papa Francisco sorrio dócil e amável, bendito seja o dia em que escolhestes o sacerdócio e fostes ungido à sagrada vocação ao amor universal.

Papa simplicidade Francisco, bendito seja o dia em que fostes eleito Papa, pois a partir desse dia a Igreja Católica inicia uma nova trajetória teológica franciscana pelos mais humildes dentre os humildes, tal como fizera São Francisco de Assis e tal como ensinara Jesus Cristo aos apóstolos;

Papa servo do servos Francisco, benditos sejam todos os dias de sua existência, pois ela nos ensina a ter fé, a ter esperança e viver o amor fraternal.

Papa Francisco da paz e do bem, “Cristo bota fé” em ti para devolver à humanidade a humanidade perdida.

Papa Francisco, pedes que rezemos por ti, no entanto és incansável rogando por nós, e com isso conjugas espiritualidade em ti e em nós como irmãos fraternos.”

 

Océlio de Morais
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