Lena Cristina Barros Mouzinho

Trabalho como psicóloga, com pessoas, famílias, casais e grupos. Sou apaixonada por Educação Relacional e fiz disto meu sentido de vida. Todo meu exercício profissional é na busca de conexão humana, por meio do diálogo.

E quando teu projeto pessoal de final de ano não foi concretizado?

Neste momento de trânsito para outro ano, há pessoas que avaliam sua vida e constatam que não conseguiram dar conta das promessas que se fizeram, para se fazerem felizes.

Lena Mouzinho

Há quem tenha noção de que planos mudam circunstancialmente. O projeto é apenas o belo rascunho de um mapa que foi desenhado com pouco conhecimento do território. É na jornada que vai sendo redesenhado de forma mais coerente com a realidade.

Mas é possível que a constatação de "não consegui" desperte emoções de muita tristeza, irritação consigo, decepção e avaliações de perda de tempo, desperdício de energia e sentimento de fracasso e culpa.

Tudo bem! Sinta!

Só, muito cuidado pra não estacionar nestas emoções.

De nada adianta também, morrer de pena de si e justificar-se, culpando os outros.

Essas emoções são incômodas exatamente pra nos mover e sairmos do estado em que estamos. Para MUDAR.

Sempre é tempo de recomeço. E temos o Presente para reconstruir e realizar. Além de todos os dias que se seguirão...

Que a tristeza e a frustração abram espaço então, para a tomada de responsabilidade por nós e por nossas escolhas.

COMO?

A primeira sugestão é que se busque ambientes e companhias que nos ajudem a acordar em nós, uma parte muito importante nesta hora e sempre: um "educador interno", amoroso, firme e compreensivo, que auto-observe com atenção e converse gentilmente.

Esse "educador interno" diria, dialogando contigo:

"Não conseguiu? Ok! Pode escolher conseguir a partir de agora. Fazer o que pode, como pode, para cuidar de ti e do teu projeto."

E depois perguntaria:

- Como foi que te distanciaste da tua trilha? O que em ti contribuiu para esse estado?

- Talvez tua "fome" por reconhecimento dos outros ou teu medo de exclusão, tenha te deixado levar principalmente pelas expectativas e demandas dos outros e aí...esqueceste do que precisavas..?

-Talvez com tua cobrança por "excelência já" criaste uma expectativa alta para ser alcançada...e te deixaste dominar pelo medo de arriscar e não conseguir realizar com perfeição e aí... foi adiando, adiando, arranjando mil distrações e urgências...?

- Talvez tenhas te perdido em cega e ansiosa competição com outras pessoas e seguiste o ano inteiro reagindo a elas, além de se comparando e se colocando em desvantagem e isso tenha consumido tempo e energia...e o ano acabou?

- Enfim... há muitas possibilidades...

Importante se auto-observar e às suas memórias para buscar compreensão:

- Como tenho me paralisado ou me distraído na minha trilha?

Identificando essas pistas é possível, daqui em diante, se "flagrar" e se estimular para seguir.

Este "educador interno" que assume cuidados como a um filho na infância, é mais atento para a satisfação de nossas necessidades e também busca identificar:

- O que realmente eu preciso?

- O que na vida realmente é importante pra mim?

- Aquilo que digo que eu quero, sou eu quem quer, mesmo? Ou estou indo atrás porque os outros dizem que é bom?

- O que preciso fazer para viver como necessito?

- Quais meus dons (aquilo que faço com tanto prazer que fica melhor que tudo o mais que faço?

- Como posso alimentar em mim essas habilidades e competências?

- Onde posso buscar essa nutrição?

- Qual apoio necessito dos meus pares para cuidar dessa nutrição?

- Para quem, dentre meus pares, posso pedir apoio neste caminho, caso o precise?

- Que outras alternativas existem para buscar apoio, caso as primeiras estejam impossibilitadas?

- E, como posso contribuir com o mundo com meus dons?

TEMPO DE REFLEXÃO

Quando estamos aprendendo a cuidar bem de nós, precisamos de um intervalo de tempo menor entre um momento de reflexão e outro.

Não somente ao final do ano. Se não, correremos o risco de continuar nos deixando guiar pelo "modo automático" e de repente...acabou outro ano.

Que tal abrir espaço prioritário para fazer isso diariamente?

No silêncio do final ou início do dia?

E registrar essas reflexões

Lena Mouzinho
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