Lena Cristina Barros Mouzinho

Trabalho como psicóloga, com pessoas, famílias, casais e grupos. Sou apaixonada por Educação Relacional e fiz disto meu sentido de vida. Todo meu exercício profissional é na busca de conexão humana, por meio do diálogo.

Autocuidado: ponto de partida para amar

Quer contribuir com uma convivência humana colorida no dia-a-dia por mais confiança e prazer? Quer amar e ser amado?

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Caso afirmativo, urge começar assumindo a responsabilidade gentil pela satisfação de suas necessidades pessoais, pelas escolhas dos caminhos que fez e faz e pela gestão de seus estados de humor e emoções.

Pessoas bem cuidadas por si mesmas são bem mais genuinamente generosas com os outros e com o mundo. Transbordam sua satisfação em viver e contagiam positivamente seu meio. Autocuidado tem direta relação com satisfação nas relações.

No caminho de aprendizagem da auto-responsabilidade e do auto-cuidado há que se privilegiar o olhar atento para nossas emoções.

São elas que nos falam do que precisamos para cuidar bem de nós.

Quando estamos buscando a realização de nossos potenciais elas emergem de dentro, bem gostosas.

Quando estamos em débito conosco, aparecem desconfortáveis e dolorosas.

São também as emoções que funcionam como um combustível na tecitura de nossos vínculos relacionais,  pois delas brotam os comportamentos com os quais interagimos, influenciamos e somos influenciados na Teia Viva cotidiana da qual fazemos parte.

Somos pois, cada um de nós, o artesão de seus vínculos com os outros e com o mundo. Tecemos, numa relação de interdependência, o contexto no qual vivemos.

Como um artesão pode criar belezas se não se empenhar em conhecer a matéria prima da qual já dispõe e se não explorar outras alternativas para inovar e surpreender-se com sua criatividade?

DISTANCIANDO-SE DA AUTO-RESPONSABILIDADE

Assumir responsabilidade por si e cuidar-se é postura contrária a da “vítima eterna”.

Quem escolhe, mesmo que inconscientemente, residir no lugar da “vítima” é movido predominantemente por mágoa, culpa, auto piedade e/ou revolta, explícitas ou camufladas.

Costuma pensar e falar: “que mundo ruim é este em que vivo?”, “ninguém me compreende”, “eles não reconhecem meus esforços”, “não me valorizam”, “não sei por que surgem tantas pessoas para atrapalhar meu caminho?”, “os outros me fazem tanto mal”, “dou tanto e recebo somente ingratidão em troca”, “sou incapaz e insignificante”, “quanto azar na minha vida”… etc…etc…

Queixa-se quase sempre de tudo, de todos e cobra, sempre que encontra oportunidade, daquelas pessoas a quem terceirizou a responsabilidade pela satisfação de suas necessidades.

Optar, mesmo que inconscientemente, por cristalizar-se no lugar de vítima nas relações, produz uma vida regida pelo intenso estresse da frustração. A sensação é de que se corre muito e avança-se pouco em seus objetivos. Isso quando a pessoa tem objetivos claros pois, quem se habitua a depender de outros, comumente nem sabe ainda o que quer.

Ou, pelo contrário, como pressupõe que quem precisa mudar para seu bem estar, são os outros e o mundo, arrasta-se, dia após dia, entediada, na acomodação típica de quem considera que nada mais tem a fazer, a não ser esperar, desesperar-se e prostrar-se, afundando-se num círculo vicioso de dor.

Quem se apega a esse lugar, esculpe-se um ser insatisfeito e infeliz. Até adoecer. E tende a contagiar quem e o que o cerca.

Se este estado  marcado pela falta de energia e desesperança  for persistente, vale muito avaliar a necessidade de cuidados profissionais, psiquiátricos e psicológicos.   É possível que um transtorno esteja dificultando a caminhada e haja necessidade de um apoio externo maior para superá-lo.

O PODER INFINITO DO APRENDIZ DE AMAR

Uma boa noticia? 

Sempre é tempo de acordar outras possibilidades em nós.

Á cada movimento respiratório pode-se assumir exercícios de auto-cuidado, reescrever nossa história e aprender a construir nossa felicidade.

Este potencial é inerente á todos nós. Como acontece com todos os outros seres da natureza, temos a capacidade de nos movimentar e mobilizar recursos internos e fora de nós, em busca de bem estar, satisfação e harmonia.

O que faço para desenvolver  auto-responsabilidade, autonomia (poder sobre mim mesma) e auto-cuidado, que são pontos de partida para tecer relações amorosas saudáveis com outros humanos?

Um caminho que tem se mostrado bem eficiente e elucidador, começa com o exercício da auto-observação: usar a função mental chamada “atenção”, gentilmente, para investigar-se, descobrir-se, decifrar-se, desvelar-se nas suas relações.

A singela prática da Atenção Plena tem-se mostrado um excelente exercício para abrir e iluminar este caminho.

À partir daí a auto-responsabilidade e o auto-cuidado podem realizar-se como exercício de amor por si mesmo, que transforma nossa vida numa jornada amorosa.

E amar-se é urgente.

Para amar outros também e construir o mundo acolhedor e respeitador a vida em que sonhamos viver.

Lena Mouzinho
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