Lena Cristina Barros Mouzinho

Trabalho como psicóloga, com pessoas, famílias, casais e grupos. Sou apaixonada por Educação Relacional e fiz disto meu sentido de vida. Todo meu exercício profissional é na busca de conexão humana, por meio do diálogo.

Auto-Observando-se e Empoderando-se...

Lena mouzinho

Somos seres de infinitas possibilidades em processo de despertar sempre, nos realizando como humanos.

Há vastas dimensões nossas que não conhecemos, não acessamos e que nem vemos que não vemos!

Somos como um oceano inexplorado e misterioso para nós mesmos.

Quando muito temos deste “oceano” uma imagem-rascunho, um simples esboço que desenhamos sobre nós mesmos para, com ele, ocupar espaços no mundo. Uma imagem ilusória a qual nos apegamos de tal forma que, quando ela é questionada pelos outros, nos sentimos inseguros e abalados por acreditarmos que ela é tudo o que somos.

Importante atentar: nossa realização como humanos vai muito além do desenvolvimento das percepções e compreensões à cerca do mundo que nos rodeia.

Nossa evolução tem relação direta com a ampliação e aprofundamento da consciência quanto ao microcosmos que somos, que existe na relação com outros microcosmos, desabrochando eternamente o que somos e podemos.

Para empreender uma jornada auto-exploratória que resulte neste desvelar eterno é fundamental desenvolver Auto-observação.

Observamos?

Observamos utilizando uma função mental chamada Atenção. A atenção é como um farol de luz potente, inerente a todos os humanos. Para realizá-la possuímos um equipamento sensorial altamente sofisticado, ainda hoje sub-utilizado por nós. Ela pode ser sempre exercitada e desenvolvida.

Fomos treinados desde pequenos a prestar atenção para observar mais o mundo à nossa volta, buscando informações para nele nos movimentar de forma mais segura.

Por termos aprendido que o mundo é um lugar ameaçador, desenvolvemos comumente uma forma ansiosa de observar, tentando inutilmente controlar o futuro e/ou, uma forma angustiada de observar, pela tendência de nos apegar mentalmente ao passado.

Observar com eficiência exige de nós estar no Presente. No aqui-e-agora, único tempo-lugar que temos realmente. Demanda expandir o foco da atenção do que está acontecendo ao meu redor, para contemplar curiosamente o que esta acontecendo dentro de mim. Implica em incluir no foco da atenção o precioso corpo onde a vida se realiza em conexão com os outros corpos.

É este corpo quem nos dá o tempo todo, informações sobre como estamos emocionalmente, sobre nossas necessidades a serem satisfeitas por nós para nosso desenvolvimento, sobre as crenças que residem nos pensamentos e que nos impulsionam ou paralisam.

É do corpo que brotam sábias orientações sobre o que precisamos fazer para zelar pelo nosso bem estar.

O ato de observar com eficiência assemelha-se então ao ciclo respiratório: inspira (Auto-observação) e expira (Observação do meio). E essa ação de focar a atenção para nosso mundo interno foi muito pouco orientada nos processos educacionais. Vivemos automaticamente e sem consciência do que escolhemos e para que escolhemos.

Auto-observação...

Auto-observar-se é exercício ponto de partida para auto-responsabilidade. Significa “escanear-se” gentilmente “olhando” e “escutando” a trilha sinalizada pelas informações do corpo para, a partir desta percepção, escolher seguir por um caminho, rejeitar outro e ir desenhando de forma mais consciente a forma como nos relacionamos conosco, com os outros, no mundo.

Quando busco estar “presente” em meu corpo torno-me capaz de identificar minhas emoções (elas acontecem e se expressam em sensações físicas) para segui-las como pistas, numa excursão interna de auto- compreensão para geri-las, no lugar de ser dominada por elas. Torno-me capaz, também, de me dar conta dos meus comportamentos e do impacto deles em mim e no mundo onde estou.

Sou capaz de reparar danos pelos quais fui responsável, sem perder tempo me culpando ou a outros. Sou capaz de compreender que tal estratégia que usei para atender uma necessidade minha não deu conta da minha intenção.

Sou capaz de ter mais claras minhas intenções.

E com o tempo torno-me mais capaz de, antes de agir, refletir sobre minhas aprendizagens, escolher atitudes e descobrir-me um par relacional mais construtivo. Quando me torno mais atenta a meu corpo aprendo a “seguir” minhas emoções e a investigar sobre minhas necessidades para providenciar auto- cuidado (do que preciso? O que me importa?)

Quando exercito auto-observação surpreendo em meus pensamentos automáticos crenças antigas, transgeracionais, que tem dificultado mover-me na vida. Posso investir voluntariamente na mudança dos padrões antigos que reproduzo automaticamente e na transformação das crenças limitadoras que funcionam cotidianamente como “programas” em mim instalados.

Quando exercito auto-observar-me posso contribuir mais objetivamente na saúde da minha relação com os outros pois, percebendo o que me faz bem e o que me faz mal, posso “desenhar fronteiras” mais claras em nossas combinações.

Pela auto-observação é que também vislumbro em mim meus dons e talentos, aquilo que faço melhor que tudo, pois faço com prazer. É como descubro meus encantos recônditos que estão sempre aguardando nutrição para desabrochar. É como posso investir para potencializar aquilo que já existe em mim de muito bom e com fartura, no lugar de tentar recuperar o que considero falta ou fraqueza.

O legítimo empoderamento humano emerge desta maravilhosa experiência de sentir-se o potente farol e, ao mesmo tempo, o imenso oceano, sendo esquadrinhado, sondado e explorado em suas riquezas. Um Poder que resulta da melhor conexão comigo e com o Todo e consequente expansão da Consciência.

Lena Mouzinho
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