Carlos Ferreira

Jornalista, radialista e sociólogo. Começou a carreira em Castanhal (PA), em 1981, e fluiu para Belém no rádio, impresso e televisão, sempre na área esportiva. É autor do livro "Pisando na Bola", obra de irreverências casuais do jornalismo. Ganhador do prêmio Bola de Ouro (2004) pelo destaque no jornalismo esportivo brasileiro.

O futebol como visão estratégica e a função de um executivo em um clube

Carlos Ferreira

Qual é a decisão mais estratégia no futebol? 

Até o início dos anos 2000, nenhuma decisão era mais determinante para sucesso ou fracasso no futebol do que a contratação do técnico. É o desafio era encontrar alguém tão honesto quanto competente. Por quê?

Imperava no mercado a promiscuidade entre técnicos e empresários. Em alguns casos, cartolas também! Funcionava assim: o empresário empregava o técnico, que priorizava a contratação dos atletas do seu empresário. O clube pagava essa conta, geralmente com pífios resultados. Isso foi recorrente e muito impactante no Remo, no Paysandu e em quase todos os clubes do país  por décadas. Sérgio Papelim foi o primeiro no futebol do Pará, em 2007, no Remo. Depois dele, pelo menos outros dez trabalharam na dupla Re-Pa. Os atuais são o catarinense Luciano Mancha no Leão e o goiano Felipe Albuquerque no Papão.

 

Executivo, a nova função determinante

O ambiente de insegurança para os clubes abriu espaço para o profissional de mercado, o executivo de futebol, nova função para extrema confiança. Na prática, o executivo tão honesto quanto competente tornou-se a nova "agulha no palheiro", determinante para sucesso ou fracasso.

Se o clube acerta na contratação do executivo de futebol, a tendência é acertar nas demais (técnico, jogadores...) e ter um gerenciamento profissional do futebol. Trabalho fadado ao sucesso! Se o clube contrata um executivo inconfiável e inábil, a tendência é ter contratações equivocadas e o futebol mal administrado. Trabalho fadado ao fracasso! 

 

BAIXINHAS

* Nas contratações de Luciano Mancha, o Remo só teve êxito com Rafael Jensen, Fredson, Marcão, Gustavo Ramos, Alex Sandro e agora Ronael. Aproveitamento em torno de 40%.  Foi nas contratações apontadas pelo técnico Márcio Fernandes que o Leão tornou-se competitivo e vitorioso. 

* No Papão, dos contratados de Felipe Albuquerque somente Nícolas pode ser considerado um sucesso. O clube apostou nos apontados por Léo Condé para a Série C e vem tendo respostas ainda piores. Agora está sem fôlego financeiro para investir nas soluções (?) de Hélio dos Anjos.

* As incumbências do executivo de futebol vão muito além de prospeção e negociação de compra, venda e empréstimos de atletas. Cabe a esse profissional liderar todos do futebol (profissional e base), elaborar orçamentos, coordenador as atividades, avaliar relatórios, coordenar programas de treinamentos e muito mais. Enfim, o cargo não pode ser para qualquer um. 

* Os executivos em nível de Série A têm salários entre R$ 60 mil a 200 mil. Alguns dos tops no Brasil: Alexandre Matos, Rodrigo Caetano, Edu Gaspar, Felipe Ximenes, Gustavo de Oliveira e Eduardo Maluf. Edu Gaspar, que está a serviço da Seleção Brasileira, vai transferir-se para o Arsenal (Inglaterra) após a Copa América. 

* Ter informações sobre as atribuições do executivo de futebol é fundamental para cobrar dele os resultados e por ele as condições de trabalho. Os atuais, de Papão e Leão, no entanto, parecem mais focados em represar informações do setor que comandam.

Carlos Ferreira
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