Paralisação de motoristas e cobradores da empresa Monte Cristo segue por tempo indeterminado

Manifestantes cobram pagamento de horas extras, entre outras reivindicações

Dilson Pimentel

Motoristas e cobradores da empresa de ônibus Monte Cristo, que tem sede no bairro da Pedreira, paralisaram as atividades na manhã desta quinta-feira (14). Os funcionários reclamam de irregularidades que vêm acontecendo há algum tempo, como o não pagamento de hora extra e o não cumprimento do intervalo do trabalhador. De acordo com o segundo o presidente do Sindicato dos Rodoviários, Altair Brandão, não há previsão para o término da paralisação. A categoria aguarda resposta do Ministério Público

A empresa conta com aproximadamente 180 veículos, que transportam uma média de 80 mil passageiros por dia. Os ônibus fazem as linhas Pedreira-Nazaré, Pedreira-Lomas, Sacramenta-Humaitá, Sacramenta-São Brás e Marex, que circulam nos bairros da Pedreira, Telégrafo, Marex.

"A gente já veio aqui e conversou com a direção da empresa para resolver essas irregularidades. Além de não pagar hora extra e não garantir o cumprimento do intervalo, tem o desrespeito por parte de alguns chefes, que humilham os trabalhadores. Estamos aqui também para denunciar isso", em entrevista concedida à Redação Integrada de O Liberal em frente à garagem da empresa, na avenida Visconde de Inhaúma.

Segundo Altair, que também é vereador em Belém, essa paralisação serve como um aviso às demais empresas. "Há várias irregularidades acontecendo e não é só nessa empresa, é praticamente em todas. Elas não estão cumprindo com as suas obrigações trabalhistas. E a gente vai parar uma por uma até que nos dêem uma resposta", afirmou.

"Não é de hoje que a gente vem avisando essa empresa. Há dois meses fizemos um acordo, que não foi cumprido. Eles não pagam hora extra; cobram do trabalhador que se envolve em acidente valores que vão de R$ 1 mil a R$ 2 mil, isso é uma coisa absurda. Sem falar no assédio moral. Na verdade, continuam sendo as mesmas coisas que a gente reclama todas as vezes", destacou Altair.

O presidente da entidade disse, ainda, que o sistema de transporte público em Belém "está uma bagunça". "Não tem mais ordem. O prefeito se esconde, a Semob se esconde. Um exemplo disso é que você não vê a agentes de trânsito na rua. Vê eles multando de dentro dos carros mesmo. É preocupante. E as empresas, além de estarem prestando um mau serviço à população, não vêm cumprindo com os direitos trabalhistas. Estamos aqui justamente para tentar corrigir essa irregularidade."

Altair reafirmou que essa é apenas a primeira empresa a ter as atividades paralisadas. "Vão parar outras. Sabe por quê? Porque ninguém toma providências e o sindicato vai tomar", afirmou. A paralisação começou às três horas da madrugada. "Se não resolverem, vamos continuar a paralisação até eles respeitarem os direitos dos trabalhadores, para que sejam sanadas as irregularidades da empresa", disse. Uma comissão de trabalhadores chegou a se reunir com a direção da empresa por volta do meio dia.

A paralisação dos rodoviários da empresa Monte Cristo pegou muitos passageiros de surpresa. Na manhã desta quinta-feira muitos deles ficaram nas paradas à espera dos coletivos. Alessandra Magalhães, 21 anos, chegou às 6h30 no ponto de ônibus que fica em frente ao Bosque Rodrigues Alves, na avenida Almirante Barroso. Ela esperou até as 7 horas em vão. E disse ter estranhado a demora. "Não costuma demorar tanto, normalmente passa um atrás do outro", relatou. Ela precisava apresentar um trabalho na faculdade onde estuda, que fica na avenida Pedro Miranda, bairro da Pedreira. Para não chegar atrasada, a saída foi pegar um táxi, que dividiu com outras quatro estudantes. "A gente ficou sabendo (da paralisação) em cima da hora. Fomos pegas de surpresa. Tanto que as paradas estavam cheias", contou.

Por volta das 11h30, ela estava novamente na parada, desta vez na avenida Pedro Miranda, próximo à avenida Alcindo Cacela, esperando a condução. Alessandra precisou pegar um ônibus de outra empresa, que a levaria até o Bosque, onde apanharia outro coletivo que a levaria até Mosqueiro, onde mora e de onde sai todos os dias às quatro da manhã, com destino a Belém. Dependendo do trânsito, ela chega à capital por volta das 6h30.

Saiba quais são as linhas operadas pela empresa Monte Cristo que estão paralisadas desde a manhã desta quinta-feira (14):

Sacramenta-Humaitá, Sacramenta- São Brás, Sacramenta Presidente Vargas, Pedreira - Nazaré, Pedreira - Lomas (Linha A / Euclides da Cunha), Pedreira - Lomas (Seletivo), Marex - Arsenal, CDP / Providência - Ver-o-Peso / Pedreira - Lomas (Linha B / BR 316).

Belém