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Paciente consegue instalar válvula para drenar hipertensão intracraniana em Belém

Mobilização de familiares e amigos vem garantindo auxílio à paciente que convive com dores extremas

Eduardo Rocha

Moradora do bairro Pirapora no Município de Castanhal e com 21 anos de idade, Luyze Cabral Araújo tem uma história de muito sofrimento e superação por causa de um pseudotumor no cérebro (hipertensão intracraniana idiopática). Essa paciente jovem conseguiu fazer uma cirurgia para instalação de uma válvula regulável no cérebro, no Hospital Ophir Loyola (HOL), no dia 2 e teve alta dessa unidade hospitalar no dia 5. São mais de dois anos de dores extremas e a perda de 90% da visão e 30% da audição. A válvula ameniza um pouco os efeitos da doença, mas a vontade de viver e a fé de Luyze a mantêm firme na luta contra a enfermidade. Essa paciente é monitorada pelo HOL.

O neurologista Bruno Lopes explica que a Hipertensão intracraniana idiopática é uma condição caracterizada por aumento da pressão intracraniana sem uma causa específica, como existência de um tumor ou algo do tipo. Os principais sintomas são dor de cabeça, alterações visuais (como falhas rápidas na visão) e alterações auditivas (como zumbidos). O diagnóstico é feito com uma punção lombar e medida da pressão de abertura, que estará elevada. Os exames de imagem costumam estar normais (tomografia e ressonância).

Bruno destaca que o tratamento é feito pelo neurologista e geralmente com acompanhamento conjunto de um oftalmologista. "Usamos medicações que reduzem a pressão, mas às vezes é necessário que sejam feitas mais punções lombares. Em casos mais extremos, tratamentos cirúrgicos são utilizados, completa.

Persistência

Luyze estudava Direito, mas no sétimo semestre teve de largar o curso, por causa da enfermidade, diagnosticada em maio de 2020, ainda que em 2019 a jovem já vinha sentindo fortes dores na cabeça. Luize tem registrado em fotos a ajuda prestada por seus amigos de curso fazendo massagem na cabeça dela, em plena sala de aula.  

"Em 2020, maio, eu fui diagnosticada com hipertensão intracraniana idiopática, também conhecida como pseudotumor cerebral. É uma doença rara, sem cura. Os sintomas começaram com dores de cabeça. Eu não procurei assistência médica, com isso evoluiu para muita sonolência e eu nunca tive problemas visuais. Quando eu consegui acordar, certa vez, eu vi que a minha visão começou a ficar turva, e dentro de um mês eu perdi completamente a minha visão", conta a paciente.

Ela foi, então, procurar um oftalmologista, e esse profissional solicitou com urgência uma ressonância com contraste, pois o problema dela não se era nos olhos. Feita a ressonância, foi diagnosticada a doença, em que, segundo ressalta Luyze, o cérebro entende que a pessoa possui um tumor maligno sem ter um tumor nessa parte do corpo. Isso, como destaca, causa a elevação da pressão intracraniana. A paciente frisa que "a pressão intracraniana normal é de 10 a 15, a minha estava em 30". Ela, então, ela começou um tratamento com um neurologista. O tratamento medicamentoso não deu certo, ela teve reações alérgicas e efeitos colaterais. Teve acidose metabólica, que é quando o sangue fica ácido. "Acordava todos os dias gritando de dor, muita cãimbra e melhorou a minha visão, só que as dores não pararam, continuava com dor de cabeça e a pressão intracraniana não baixava", relata.

Ela foi encaminhada para Policlínica do Estado, em setembro de 2020. Lá, um neurocirurgião avaliou o caso de Luyze e disse que era cirúrgico, pois "eu continuava com papiloedema", quando o nervo óptico é inchado, e indicava que a pressão continuava alta, além de o medicamento que ela usava na época não estava fazendo efeito.

Em dezembro de 2020, ela conseguiu a primeira consulta no Ophir Loyola, já com indicação para tratamento cirúrgico. Em 4 de janeiro de 2021, ela foi, então, fazer a primeira ressonância, passou mal e foi internada. No dia 7, fez a primeira cirurgia, uma Derivação Lombo Peritonial (DLP), uma válcula com um dreno colocado na coluna vertebral que se desvia até o peritônio para escoar o líquor cefaloráquio que causa a pressão intracraniana alta (pseudotumor cerebral).

No entanto, essa cirurgia não deu certo, infeccionou e a paciente teve fístula (conexão anormal entre órgãos do corpo humano). Em 5 de fevereiro, a jovem retornou ao HOL e tirou a válvula, e em 7 do mesmo mês retirou esse equipamento. No entanto, em 17 de fevereiro, a paciente colocou uma outra válvula, uma Derivação Ventrículo Peritonial (DVP).

Superação

O ano de 2021 foi de muita dor para Luyze, indo sucessivamente para a Emergência. Então, em fevereiro de 2022, ela fez uma "vaquinha" com familiares e amigos e pagou várias consultas e foi constatado que ela continuava com a pressão alta no crânio e com perda visual progressiva. Ela precisava de uma consulta com um neurooftalmo, mas tinha perdido a pensão do pai, em abril. A jovem é filha única e mora com a mãe, e ambas ficaram sem nenhuma fonte de renda. Nisso, os amigos fizeram uma campanha para que ela tivesse uma consulta com um neurooftalmo em Ribeirão Preto (SP).

Lá, consultou-se em 7 de junho com esse profissional e ficou internada até 24 daquele mês, constatando-se a continuação da presão alta no crânio, perda visual de 90% e auditiva de 30% e que se tratava de um quadro irreversível. Os médicos pediram para ela se tratar na clínica de origem, o HOL, pois lá só tratam da questão visual. Então, ela foi internada no HOL, e os médicos constataram que a pressão no crânio estava alta, e ela permanecia com dores de cabeça -- essa paciente toma morfina de quatro em quatro horas, fora outros medicamentos para suportar a dor.

Os médicos fizeram uma reabordagem cirúrgica da DVP, a terceira cirurgia da paciente. Verificaram, então, que o catéter estava dobrado no peritônio dela. Reposicionaram o catéter e cortaram uma parte dele. Porém, a paciente continuou dores de cabeça. Ela fez a cirurgia em 15 de julho e teve alta em 17 daquele mês, no caso, a quarta cirurgia. Em 5 de agosto, voltou ao hospital, para uma punção lombar e foi verificado que a ferida pós-operatória estava infeccionada. Ela foi, então, internada. A pressão intracrânina continuava alta, e sugeriram a válvula regulável, pela qual se define a quantidade de drenagem. Mas, esse equipamento não é fornecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), por ser produzida fora do Brasil.

A paciente ingressou na Justiça requerendo a válvula regulável. A decisão foi favorável. Após mobilização nas redes sociais, em 2 de setembro, ela fez a cirurgia de colocação de válvula regulável. A Secretaria de Estado de Saúde (Sespa) informou, por meio do Hospital Ophir Loyola, que "a cirurgia ocorreu dentro da normalidade e a paciente recebeu alta no final da manhã desta segunda-feira (05)". "O HOL ressalta ainda que a mesma será acompanhada via ambulatorial pela equipe multidisciplinar do hospital, completa.

"Foi uma luta muito árdua, até porque eu sempre vou ter essa doença, que não tem cura, doença em que você cega, pode ir a óbito, que você fica surda. Eu fiquei com fraqueza muscular, com problemas de memória, sonolência extrema", ressalta.

Essa paciente já passou por seis cirurgias e sete internações. Ela e a mãe sobrevivem de doações solidárias, porque a jovem não pôde mais trabalhar e a genitora tem de cuidar de Luyze. Informações: 91 98138-2825.

 

 

 

Belém
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