Dia do Comerciante: estabelecimento no bairro do Guamá carrega legado que passou de pai para filho

O comerciante Dhiego Ferraz, de 35 anos, herdou o compromisso de continuar com a missão do patriarca da família e segue até hoje

Gabriel Pires

O Dia do Comerciante, neste domingo (16), celebra uma das atividades mais antigas do mundo, que movimenta a economia e gera oportunidade, emprego e renda. Em Belém, por trás de muitos comércios locais, existem histórias que envolvem tradição e vínculos construídos ao longo de gerações. São histórias de negócios que passaram de pai para filho. Com amor e dedicação, há muita força de vontade para manter vivo o espírito do passado aliado a um futuro promissor.

Quem traz a herança de comandar o negócio da família é o comerciante Dhiego Ferraz, de 35 anos. Ele é um exemplo de como o legado do ofício familiar pode florescer nas mãos da próxima geração, ao herdar a missão de comandar o sonho iniciado pelo patriarca, Pedro Ferraz, há mais de 20 anos. Localizado no bairro do Guamá, em Belém, o ponto comercial de artigos de utilidades para o lar gerenciado por Dhiego e pela mãe dele, Zelma Santos, de 70 anos, é sinônimo de tradição na capital paraense.

Dhiego assumiu a gerência do local há 15 anos, pouco tempo depois do falecimento do pai. Entretanto, o rapaz reuniu forças para levar em frente o empreendimento que a família começou. “Antigamente era o meu pai quem comandava [o comércio]. Isso é muito importante [o comércio], porque é daqui que sempre veio o sustento da família. E a gente seguiu com isso também, até hoje. E sempre foi aqui [no mesmo endereço]”, diz Dhiego.

image Dhiego Ferraz e Zelma Santos (mãe do rapaz) levam adiante o comércio iniciado pelo patriarca da família Ferraz (Igor Mota / O Liberal)

“Meu pai sempre foi um exemplo para mim, de força, determinação. Tento continuar da melhor forma possível, para que as coisas continuem dando certo”, conta. Para manter de pé o negócio por décadas, ele revela o diferencial: “A relação próxima com o cliente é essencial para que tudo possa dar certo: “O principal conselho [do pai de Dhiego] foi sempre tratar bem nossos clientes, se dedicar, que o restante é consequência”, relata.

Ao longo dos anos, Dhiego acompanhou de perto o trabalho dos pais, absorvendo conhecimentos que, anos mais tarde, seriam colocados em prática. Levando adiante o que a família construiu, ele destaca aquilo que lhe motiva a seguir em frente: “ter um futuro tranquilo”. “A gente tem que se manter focado no nosso propósito e está sempre ligado ao que as pessoas procuram, às novidades que o mercado lança. Quem trabalha aqui hoje sou eu, a minha mãe, que ainda tá aqui comigo, e nós temos um funcionário também”, afirma o rapaz.

image Dhiego Ferraz: “O principal conselho [do pai de Dhiego] foi sempre tratar bem nossos clientes" (Igor Mota / O Liberal)

Responsabilidade

“A responsabilidade é grande. Quinze anos se passaram desde que sigo à frente dos negócios. Minha mãe ainda é muito presente, apesar de já ter desacelerado o ritmo de trabalho. Nossa fonte de renda é fruto do nosso trabalho, então saber que existem pessoas que dependem do meu esforço, motiva a continuar. Além do significado afetivo, o comércio em Belém sempre foi muito forte. É a principal renda de grande parte da população”, relata.

Ao assumir o comando, Dhiego sentiu o peso da responsabilidade em dar continuidade à tradição familiar e enfrentou alguns desafios. Em meio a uma mudança brusca, isso não foi motivo para que ele desistisse. “Os desafios existem até hoje. No início foi bem mais difícil, até porque eu não entendia nada sobre gerir um negócio. Era uma mistura de medo com vontade de dar certo. Hoje, após todo esse tempo, eu tento não cometer os mesmos erros e acredito ter amadurecido bastante. Isso trouxe certa tranquilidade para lidar com as adversidades”, diz.

O negócio da família começou quando o pai de Dhiego chegou a Belém, como lembra dona Zelma Santos, mãe de Dhiego. “A gente veio de Cuiabá, aí ele [o pai de Dhiego] começou a trabalhar, era pequeno, aí foi ampliando. Mas ele faleceu, o Dhiego tomou a frente e eu também venho ajudando". Os nossos clientes já conhecem, já sabem onde encontrar as coisas. A minha paixão é ficar aqui e atender bem os outros”, conta dona Zelma.

A data

O Dia do Comerciante foi criado a partir da Lei nº 2.048 de 1953, em homenagem ao nascimento do economista, jurista e político baiano José Maria da Silva Lisboa, o Visconde de Cairu. Ele é considerado o patrono do Comércio do Brasil, pelo legado de contribuir para o desenvolvimento do comércio brasileiro, a partir da iniciativa de criar vínculos com países.

(Gabriel Pires, estagiário, sob a supervisão de João Thiago Dias, coordenador do Núcleo de Atualidades)

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